03/07/2012 – 17:07
Foto: Anita Tetslaff
Que tal o ânimo de Zauith ante a fala de Tetila?
Ao contrário do que se imaginava ao se descerrar o palco das convenções municipais, daí se vislumbrando carinhas – algumas por demais carimbadas – e currículos dos peitudos dispostos a encarar as urnas em outubro próximo, em vez do início, propriamente dito, da campanha eleitoral, o que se assiste é um verdadeiro festival de acusações, com traição de mamando a caducando. Pior, não apenas traição na acepção da palavra, entre companheiros, mas até entre parceiros “de momento”, isso mesmo, como os das “ficadas” na antiga e gloriosa Coréia douradense.
A história que mais vem dando pano pra manga é a de Delcídio do Amaral, tucano de coração que foi ficando petista pela conveniência do “momento” lulista no âmbito nacional e, claro, também, por força do mandato. Assanhando-se para os lados de André Puccinelli desde 2010, quando precisava da reeleição, agora, vislumbrando novamente a possibilidade de, com apoio dele, vir a sucedê-lo no governo, com ele teria se encontrado na calada da noite para rifar os companheiros de partido estado afora. Zeca do PT, que até hoje se arrepende amargamente por não ter retribuído o apoio de Pedro Pedrossian à sua primeira eleição de governador com a cadeira que chancelou a Delcídio no Senado, está espumando de raiva e exigindo explicações. Isto, depois de o galo ter cantado mais de três vezes anunciando a traição do rechonchudo barrageiro do Pantanal. Se Delcídio traiu o PT com André, o que dizer da condição Nelsinho Trad, na outra ponta da corda trabalhando feito um doido, também, para que o governador “tratore” petistas e demais adversários acreditando ser ele o ungido de 2014?
Ainda nesta perspectiva, um pouco mais abaixo das linhas e dos travessões da Colônia Federal, outra estrela petista que estava ficando com um adversário histórico esperou a undécima hora de uma das intermináveis plenárias do partido para tentar um golpe pra lá de sorrateiro. Acredite quem quiser, mas o professor Laerte Tetila, bem ao estilo daqueles que dão o tapa e escondem a mão, só não saiu candidato porque a esposa, também professora, Zonir Tetila, fazendo jus à tradição da família Mattos, à última hora, acabou com as pretensões do marido de tentar reaver a prefeitura que entregou de mão beijada ao Valdecir em 2008. Não por acaso, durante a convenção de estilo americano no Cachoeirinha, sábado de manhã, o prefeito fez lembrar os dias em que andou emburrado pela indefinição de Puccinelli no período que antecedia a eleição para o Senado, dando-lhe as costas. Depois, Zauith explicou que não se sentiu traído por Tetila, apenas ficou um pouco aborrecido, mas que o momento é de maturidade e de juntar os cacos por Dourados.
A história se repetiu em vários municípios, e, mais interessante, conforme denúncia do Correio do Estado de hoje, com o CBT de André Puccinelli pilotado por Delcídio do Amaral ignorando até mesmo alguns ponteiros de pesquisas, como o radialista Alcides Bernal, em Campo Grande. Aqui um parêntese. Em lugar de traição, leia-se leilão, com o último lance no expirar do prazo da convenção.
Mas, afinal, por que tanto estica-e-puxa e tanta adrenalina num processo que deveria ser dos mais democráticos, dando-se aos partidos a oportunidade de disputa e ao eleitor a de escolha? Muito mais que medo das urnas, pelas dificuldades de operacionalização da tal estrutura, reflexo, ainda, da Uragano, como remake do filme The Day After, na realidade retratando a situação periclitante nos meses que se seguem ao início de conflito nuclear entre Estados Unidos e União Soviética. Assim como a guerra fria, num passe de mágica cinematográfica transformada em guerra quente entre as, até então, duas potencias mundiais, as traições destas eleições, que pareciam mornas, podem esquentar a tela da TV no horário eleitoral. Senão agora, com certeza em 2014.
