21/07/2012 – 08:07
“Dourados quer a Perimetral Norte? Dourados terá a Perimetral Norte!”. Governador André Puccinelli, 21/08/2009.
André Puccinelli, ciceroneado por Sérgio Henrique (à esquerda) em 2009, na prospecção do traçado, e, ontem, na inauguração da Perimetral
Foi numa sexta-feira ensolarada de agosto de 2009, no “lombo” de uma caminhonete, como ele mesmo definiu, que André Puccinelli deu a largada para a transformação em realidade, ontem, do sonho da Perimetral Norte. “Não faço obra sem conhecer o local”, justificava o governador ao final de uma tarde inteira embrenhado nas várzeas do Jaguapiru, beiradeando o Laranja Doce, depois de não aguentar mais a pentelhação do “animal do pelo curto”, que chegou ameaçar abrir uma picada para desviar o tráfego pesado do centro da cidade. Daí a promessa solene que abre este texto, por razões óbvias insistentemente veiculada na mídia pela assessoria do espevitado prefeito.
No dia em que completou o conjunto de obras que dão um novo formato ao entorno de Dourados e que põem fim ao pesadelo do trânsito de caminhões e carretas pelo centro da cidade, André Puccinelli aproveitou a deixa da cobrança da duplicação da Avenida Guaicurus pelos acadêmicos da UFGD para consolidar não só um estilo de governo, mas para uma lição às novas gerações de como fazer política e administrar a coisa pública honrando compromissos. “Uma coisa que ninguém pode falar é que o André não cumpre compromissos”, disse, dirigindo-se a um universitário que, depois de apontado como o “carecão” da faixa – “duplicação já” – ficaria mais sisudo ainda. Nem por isso o governador perdeu a piada, comprometendo-se a atender o pleito até o final de seu governo, sugerindo uma rodada de cerveja, bancada pelos estudantes, para a inauguração.
Pelo estado de espírito, André Puccinelli dava toda a pinta de ter passado no cafofo de Paulo Catanante, no Ibrape, antes de viajar, onde deve ter constatado a ascensão de Edson Giroto nas pesquisas para, daqui uns dias, poder comemorar 30 anos de reinado quase absoluto do PMDB em Campo Grande, já que desde Heráclito de Figueiredo (o último pedrista a ocupar a cadeira, hoje, de Nelsinho Trad), tirante a fase tucana de Lúdio Coelho (entronizado prefeito pelo governador peemedebista Wilson Martins), apenas a interinidade relâmpago de Marilu Guimarães, em janeiro de 1990, quebrou a hegemonia do grupo político hoje liderado pelo governador.
Ao contrário, e para evitar constrangimentos diante do afundamento de seu partido em Dourados, André, mais uma vez, abusou do léxico, fazendo analogias para “limpar a barra” dos deputados federais Geraldo Resende e Marçal Filho, presentes no ato de inauguração da Perimetral. Ao anunciar a passagem do bastão político, sem deixar de aventar a possibilidade de fazer companhia a Waldemir Moka no Senado, parafraseou Pedro Pedrossian, que se dizia o grande forjador de lideranças, para elogiar a capacidade de Resende como seu fornecedor de sildenafila (Viagra) e a voz de veludo de seu pupilo metrossexual Marçal Filho, mas, para gargalhada geral, alertando ser hetero.
Recebido e saudado efusivamente em palanque por petistas como a vice-prefeita Dinaci Ranzi (Murilo ausente pelas imposições da legislação eleitoral) e o deputado Laerte Tetila, em dia de louros para seu governo, fez questão de mostrar também seu lado companheiro, chamando ao tablado para com ele ficar de ladinho o advogado Sérgio Henrique Pereira Martins de Araújo, presidente do Conselhão – órgão da sociedade organizada criado à época pela OAB para deslindar uma série de questões administrativas emperradas pelas picuinhas políticas, como a Perimetral -, e, por fim, citando e dividindo os méritos de seu grande feito com o ex-prefeito Ari Valdecir Artuzi, que até tentou roubar a cena, mas o dia era, mesmo, de Puccinelli.
