24/07/2012 – 18:07
Aposentado da política, muito mais pela humilhação nas urnas como candidato a deputado estadual em 2002 do que por quase uma centena de processos por improbidade administrativa depois de duas administrações à frente da prefeitura de Dourados, dizendo-se falido também empresarialmente, o engenheiro Antônio Braz Genelhu Melo (foto), que com trabalhos de macumba nas areias monazíticas de Guarapari teria tentado abreviar o mandato de Wilson Martins, de quem era vice-governador, tem agora um novo desafio pela frente: tentar acabar com a síndrome do cavalo paraguaio, justamente em Ponta Porã, onde é o encarregado do marketing do republicano Álvaro Soares, por enquanto líder nas pesquisas de intenção de votos para a prefeitura.
Como o prefeito Flávio Kayatt (um dos mais bem avaliados da história e que embirrou de eleger Hélio Pelufo sucessor) fez quase tudo na cidade, inclusive copiando a mais genial de suas ideias, a de pintar meio-fio com cal, Braz Melo desbancou os profissionais do marketing eleitoral com quem Álvaro Soares vinha mantendo contatos ao convencê-lo do genial discurso de que a fronteira não é o fim, mas o começo da linha que leva à prosperidade. Convertido ao pentecostalismo metodista renovado, para reforçar seus argumentos e evitar questionamentos éticos, reforçou seu portfólio com imagens e fotos dos áureos tempos em que era um dos mais prósperos investidores do lado de lá da fronteira, até a bancarrota do Banco Del Paraná, cuja tentativa de recuperação dos prejuízos deu origem à famosa Praça Paraguaia, inaugurada em Dourados com pompa e circunstância pelo amigo do peito e presidente da República Juan Carlos Wasmosy.
Além do mote de que Ponta Porã é o começo e não o fim do mundo, mostrando sua condição de homem-solução e não de marqueteiro- problema, e pela lógica, principalmente das campanhas políticas, de que nada se cria tudo se copia, Braz Melo leva também no alforje o jingle de sua primeira eleição, devendo apenas substituir o refrão de efeito chiclete “Eu vou votar no Braz, Braz! Braz! Braz!” por alguma coisa do tipo “Agora eu quero mais, mais! Mais! Mais!”, fórmula já copiada em outras cidades brasileiras, quiçá paraguais.
Nenhuma dúvida de que Braz Melo sempre foi um bom marqueteiro, mas em causa própria. Agora é esperar o final de mais esta guerra na fronteira Brasil-Paraguai para ver quem é mais competente nessa intrincada questão de transferência de prestígio, já que Kayatt vive aquela fase dos que, quando querem, elegem até um poste. A torcida do novo marqueteiro é para que Álvaro Soares seja tão bom de voto quanto de carteado. E firme na rédea de seu cavalo paraguaio, para não ficar a mercê do que pode ser mais um blefe.
