06/08/2012 – 15:08
Foto/site do Murilo
Posso parecer cada vez mais canastrão, pelo tanto que repito esta história, mas ao me deparar com a foto acima no site de campanha de Murilo Zauith lembrei a famosa pergunta – “você tem, pelo menos, um caminhãozinho de som?” – de Pedro Pedrossian a Zé Elias Moreira, ante a certeza de que seu figadal adversário, Wilson Martins, despacharia seu vice Braz Melo de volta à prefeitura de Dourados como forma de se prevenir dos despachos do Espírito Santo, o Estado, claro, em cuja orla a macumba corria solta para que o governador deixasse a cadeira antes da hora.
Quando usava o diminutivo para se referir ao caminhão-palanque o maior obreiro entre os governadores dos dois Mato Grossos estava, na verdade, tentando dissuadir o fiel escudeiro de uma empreitada que considerava das mais ingratas. Além do que Doutor Pedro nunca disfarçou a paixonite aguda nutrida por Braz Melo, engenheiro como ele, o que fez Zé Elias cansar a beleza e debandar para as hostes de Zeca do PT.
Bom explicar, antes que algum cabo eleitoral mais empolgado da professora Elcy, como Antônio Casaroto, resolva implicar com o Blog, que no pós-Uragano um caminhãozinho de som desses equivale a juntar duas daquelas carretas que serviam de palanque para os grandes comícios de antigamente. Para se ter uma ideia, o critério do guru do deputado George Takimoto, Emídio Milas, para a seleção de candidato a vereador do PSL na atual eleição era a certeza do dito cujo possuir pelo menos um aparelho celular e uma motoca, dessas bem econômicas.
Além do emblemático caminhãozinho palanque, a foto chama a atenção para o novo jeito de fazer campanha nesses tempos bicudos da política douradense. Com a proibição da contratação de artistas para os showmícios, das churrascadas, galinhadas e pucheiros e, o que está pesando mais, também reflexo direto da Uragano, sem a grana que jorrava abundante e cristalina da cota e da conta dos sempre afortunados deputados estaduais, lançamentos de candidaturas como o da professora Elcy, na Vila Popular, acabam sendo as poucas oportunidades não só para que os candidatos vendam o peixe, mas principalmente para a produção de imagens para a propaganda eleitoral, um desperdício, já que a televisão que transmite o horário gratuito, a RIT, continua com seu traço de audiência, ou seja, quase zero.
Menos mal, depois de tantas as escaramuças da fase pré-eleitoral, que a carga do caminhãozinho da professora Elcy não parece tão pesada. A faceirice do sempre circunspecto peemedebista Odilon Azambuja é a maior prova que reina a mais absoluta paz na plebiscitária campanha murilista. Também Paulinho Falcão (com o microfone) que até poucos dias vivia às turras com Zauith pela firmeza como apoiava os devaneios do chefe Geraldo Resende (olha ele lá no cartaz da direita, mas sempre que pode também de corpo presente nesses lançamentos) e até Nicácio Cantero, embora, de todos, o que mais entende de carga pesada, nesta primeira viagem caindo da carroceira do caminhão pedetista por ameaçar deixar companheiros na poeira.
A propósito, Zé Elias não tinha o tal caminhãozinho de som, mas deu uma canseira danada em Braz Melo e por pouco o feitiço não virou contra o feiticeiro.
