24/08/2012 – 18:08
Assediado havia tempo para construir um trevo do acesso a uma usina de álcool em Fátima do Sul, ao ver o empresário Celso Dal Lago entre as lideranças que o aguardavam em Nova América, André Puccinelli, em vez do abraço fraternal no velho amigo e companheiro, acenou, de longe, com o maior-de-todos retesado, mas encolhendo o fura-bolo, o mindinho e seu-vizinho, no mais convencional modo de dizer “aqui pra você, óh!”. Dal Lago entendeu o gesto, deu meia volta e chispou para Dourados, mas com a certeza de que o trevo prometido sairia. Comigo também já aconteceu. Sempre me chamando de “nó”, um dia, em seu gabinete, o governador fez questão de se justificar, dizendo ser este seu jeito de tratar quem considera amigo.
Estes episódios vêm a propósito da tempestade em copo d´água feita pelo Midiamax, site declaradamente de oposição, após o vazamento de conversas do mesmo André Puccinelli, que, pelo fato de estar governador Estado e, como maior liderança do PMDB, não está impedido de se reunir a portas fechadas com a militância de seu partido e, bem no seu estilo, dela fazer a chamada, já que estamos em plena campanha eleitoral.
Nenhuma dúvida de que a conduta extrovertida de André Puccinelli, contrariando toda a liturgia do cargo, incomoda aos adversários. Até porque, além de sua comprovada competência administrativa, talvez resida aí o segredo de tanto sucesso político-eleitoral. Chico Santa Rita? Só pro forma, André Puccinelli, para desespero de sua assessoria, é o marqueteiro de si mesmo.
Até parece que o Midiamax e os que repercutiram a chamadinha da militância peemedebista se esquecem de que o André Puccinelli que, não faz muito tempo, ao escancarar a sexualidade e chamar de maconheiro um ministro do governo Lula, ameaçando estuprá-lo em praça pública, é o mesmo que, paradoxalmente, agora, promete cortar a própria genitália caso o ex-governador Zeca do PT consiga mais de 30 mil votos em sua inusitada campanha de vereador em Campo Grande. Ou seja, o governador turrão, com seus rompantes e bravatas, mas que se derrete em lágrimas ante o sofrimento alheio ou com afagos pelo reconhecimento público das grandes conquistas de seu governo.
Brincando sempre com sua condição de sexagenário, André Puccinelli vive importunando o quase centenário ex-governador Wilson Barbosa Martins para saber o segredo da longevidade, daí se inspirando para piadinhas como a da compra de Viagra para pulverizar nas caixas d´águas das casas distribuídas pelo governo do Estado, não perdendo a oportunidade para fazer troça também com companheiros em palanque, como quando “entregou”, recentemente em Dourados, o “criador do firmamento” Geraldo Resende como seu fornecedor dos “azuizinhos” e, aproveitando que o também deputado Marçal Filho (conhecido como voz de veludo) estava por perto com cara de “pidão”, como ele gosta de dizer, para reafirmar sua condição heterossexual.
A diferença entre André Puccinelli e a média da classe política é seu excesso de transparência. Em tudo. Foi assim, por exemplo, quando saiu no braço com um petista que caiu na besteira de acusá-lo de fraude na famosa eleição para a prefeitura de Campo Grande, em que venceu Zeca do PT por apenas 411 votos. E quando, pelo mesmo motivo, murchou o pneu do carro de outro militante petista. Tudo às claras, na frente da imprensa.
O cirurgião que se notabilizou como médico de família nos travessões da Colônia federal, apesar da ferpa extraída sem anestesia do molóide Izomar Galeano, o político que ganhou, mas não levou (por causa da legenda) a primeira eleição em que disputou em Fátima do Sul, se mandando para Campo Grande, onde virou deputado estadual, secretário de saúde, deputado federal, prefeito e governador do Estado. O piloto de Kart cujo carro preferido ainda é a velha e boa “Ferrari” (um uno vermelho desbotado com o qual gostava de recepcionar as autoridades até bem pouco tempo) e que com jatos e helicópteros confiscados de contrabandistas à sua disposição, prefere voar pelo Estado num Bandeirante caindo aos pedaços. O governador que mora no mesmo apartamento desde quando era deputado estadual, onde sofá da sala e a televisão (de tubo) só foram trocados depois de muita insistência de assessores. Isto, ou este, é André Puccinelli, que mandou seu vice, Murilo Zauith, passar sebo de grilo nas canelas se quisesse virar senador e que apelidou o “desobediente” deputado peemedebista Ari Artuzi de animal de pelo curto, dando no que deu. Como se vê, não foi a primeira, nem será a última chamada da (ou na) militância peemedebista.
