29/08/2012 – 11:08
Sempre que chamado a dar palestras para candidatos, principalmente a vereador, como acabo de fazer em Ponta Porã, vou logo avisando para não se impressionarem com números de pesquisas na fase inicial da campanha, pois que é o instante em que, digamos assim, os institutos ainda estão na fase de ajustes das aferições, o que acontece paralelamente ao encaminhamento da negociação com os veículos de comunicação. Lembrando sempre que têm institutos e institutos de pesquisa, não se excluindo do rol dos altamente suspeitos o próprio Ibope, pelas tantas bicudas dadas em eleições Brasil afora, inclusive em pleitos para presidente da República, como aconteceu, não faz muito tempo, para o oceânico constrangimento de seu presidente, Carlos Augusto Montenegro, emudecido diante da realidade das urnas em flagrante contraste com os números de seu até então insuspeitável Instituto, em entrevista ao vivo, em rede nacional, na própria rede Globo, com quem tem uma das mais perenes parcerias.
Agora a história se repete. É como se o Ibope estivesse testando algum novo tipo de metodologia em cidades do interior brasileiro, para não repetir as gafes anteriores nos grandes centros. Tanto que a juíza eleitoral de Belém, Maha Kouzi Manasfi, está apontando a possibilidade de fraude “com patente desvio de finalidade”, em recente pesquisa em que o instituto coloca em dúvida a preservação da identidade dos entrevistados, o que, segundo ela, abre possibilidade de quebra do sigilo do voto dos eleitores paraenses. Diante disso, para a juíza, as pesquisas do Ibope são totalmente “desacreditadas”.
O posicionamento da juíza do Norte brasileiro está repercutindo na imprensa de Ponta Porã, onde o mesmo Ibope acaba de equiparar o candidato tucano Hélio Peluffo ao famoso míssil francês Exocet, usado durante a Guerra do Golfo, pela forma vertiginosa como, da noite para o dia, conseguiu subir e desbancar o ponteiro Álvaro Soares sem que um fato preponderante acontecesse na propaganda eleitoral do rádio e da televisão, última chance de tentar consolidar sua candidatura.
Para aumentar ainda mais a suspeição, já generalizada, no trabalho do Ibope também em Ponta Porã, o Correio do Estado publica hoje novos números do Ipems, com um empate técnico entre os três candidatos que disputam a sucessão do prefeito Flávio Kayatt.
Álvaro Soares sempre liderou todas as pesquisas de intenção de voto, inclusive as encomendadas por Kayatt, mas, de repente, e, por coincidência, na pesquisa Ibope/TV Morena, emissora que tem a prefeitura de Ponta Porã como um dos maiores clientes e cujo proprietário (Ueze Zahran) é casado com uma Peluffo, aparece quase vinte pontos atrás de Hélio Peluffo, sempre em segundo lugar.
