19/11/2012 as 15:00
Embora tenha assessorado a 4ª. Subseção da OAB (gestões Gervásio Scheid e Sérgio Henrique Araújo), jamais me imiscuí no processo eleitoral da entidade. Isto, pelo trauma da única vez em que, mesmo não sendo advogado, me meti a cabo eleitoral, lá pelo final da década de 1970. Foi quando perdi, para sempre, a amizade de Altair da Costa Dantas, só porque dei um discreto empurrãozinho na candidatura de José Marques Luiz, eleito com apoio de Harrison de Figueiredo e Atílio Magrini, dois assíduos companheiros de happy hour nos bons tempos da Caneca, ainda na fase Antônio Eugênio.
Naquela época não havia esse negócio de pesquisa eleitoral, muito menos numa eleição da Ordem. Por ser amigo e correligionário político do então todo poderoso João Totó Câmara, Dr. Dantas se achava imbatível. Nem precisava fazer campanha, até porque não contava que aparecesse alguém disposto a enfrentá-lo. E foi aí que caiu do cavalo, pagando o pato o arremedo de repórter que carregou um tiquinho só nas tintas das matérias, favorecendo o adversário. Um deslize imperdoável, até porque, além da amizade que nos unia, naquela época o também poeta Alcodan já falava de amor no jornal de seu Amaral.
Hoje, a exemplo das disputas para o executivo e legislativo, as eleições da OAB se tornaram verdadeiras guerras, principalmente com a entrada no circuito das agências de propaganda e dos institutos de pesquisas. Só falta horário gratuito no rádio e na TV. O resto tem tudo. O que não muda, apenas, é a emoção dos cada vez mais acirrados pleitos pela Ordem. E, pelo jeito, como nos pleitos populares, considerando-se as pesquisas publicadas nos dois principais sites da capital do Estado, neste final de semama, a insistência em querer se enganar. Ou será que de tão bem instruídos os nobres causídicos é que estão enganando os institutos de pesquisa?
Pela pesquisa Ícone/Midiamax (o site que primeirou cantou a vitória de Alcides Bernal) Julio César Rodrigues será eleito presidente amanhã. O Ibrape/Campograndenews dando a vitória de Marco Túlio Garcia. O único dado que bate é a lanterna de Alexandre Bastos, nas duas, com 11% dos cerca de dez mil votos dos advogados do Estado.
E o leitor do blog deve estar se perguntando: o que tem a ver com uma eleição de OAB o policial da foto amarelada pelo tempo que ilustra este texto? Tudo. Ele é o responsável pela chance que Dourados tem de deixar de ser, também em nível de OAB, a terra dos vices e dos suplentes. Meu padrinho (de crisma), sargento Baiano (braço direito do temido capitão Couto, nas décadas de 1950/60), é o pai do candidato situacionista Julio César Rodrigues, que, mesmo discursando como primeiro douradense a disputar o cargo, segundo as pesquisas, perderia a eleição na terra natal, de onde saiu ainda de cueiros, mas, tirando a diferença em Campo Grande, a cidade que escolheu pra chamar de sua.

