20/11/2012 as 19:03
Quando, logo no início deste mandato-tampão, do entrevero entre o então secretário de Planejamento Antônio Nogueira e o estadual Zé Teixeira, por conta – alguém tem dúvidas? – dos retornos da Secretaria de Obras, pasta da cota do deputado, perguntado se tomaria alguma atitude, Murilo Zauith surpreendeu o interlocutor com esta afirmação: “isto é guerra de quadrilha, não vou me meter nisso”. E ficou o dito pelo não dito, até Nogueira sair de fininho, com a desculpa de administrar a encrenca interna peemedebista, enquanto o prefeito esvaziava ainda mais a secretaria de obras, comandada por Jorge De Lúcia, afilhado político de seu Zé, substituindo o estopim curto de seu verdadeiro tocador de obras deslocado no Planejamento pela habilidade política do empresário Gerson Schaustz.
Pode – e deve -, claro, até pelo momento, ter sido uma força de expressão, mas não deixando de ser uma declaração forte, de quem acabava de assumir a prefeitura numa situação extraordinária exatamente por causa de uma guerra entre outras quadrilhas e, mais grave, sem que se tomasse nenhuma atitude. Mas não demorou para Murilo Zauith começar a mostrar seu jeito, bem peculiar, de lidar com este tipo de gente. Foi pintar o primeiro escândalo de sua administração, e ele o primeiro a falar em cadeia para os responsáveis pela maracutaia da venda de casas populares, ironicamente, projetadas por Ari Valdecir Artuzi.
Agora, no momento em que todas as atenções se voltam para o futuro secretariado, com o prefeito reafirmando a disposição de tocar a coisa pública com sempre tocou a privada, ou seja, com gestores que não dêem espaço a negociatas, até porque, como diria Giovani Improta (o bicheiro de Zé Wilker em Senhora do Destino), o tempo “ruge” e 2014 é logo ali, interessante que Zauith retroceda no tempo, refletindo sobre o primeiro secretariado que viu montado na terra de seu Marcelino, o de Zé Elias Moreira, já que quando chegou para instalar seu escritório de engenharia ao lado da prefeitura Totó Câmara administrava com apenas com um secretário-geral e um tesoureiro.
Talvez o que Murilo precise, neste momento de reafirmação econômica de Dourados, seja do tal saco roxo, não como o de Collor de Melo, mas que seja como o de Zé Elias, que atravessou o Rubicão, como se dizia nos tempos do finado Getúlio, e arrumando a maior confusão com a companheirada (e olha que quem liderava a velha e marvada UDN era ninguém menos Negrinho Martins) ao importar secretários. Eram os tais gestores, os mesmos que o marido de dona Cecília diz querer agora. E foi, assim, com importados como Antônio Medina, Paulo Fortes,Jofre Brum, Pedro Carneiro, entre outros, mas sem desprezar os melhores quadros entre os profissionais douradenses da época, como Leon Tolstói, Luiz Antônio Gonçalves e Lori Gressler, que ele virou Dourados do avesso, fazendo jus ao slogan – “vamos mudar a história desta terra” – de campanha, não tendo sequer tempo de terminar o mandato, pois que fora chamado para cumprir missão como primeiro candidato situacionista ao governo do Estado.
Ainda invocando o filho de seu Quinzito, e, como o negócio é não administrar guerra de quadrihas, Murilo Zauith não pode deixar de ter seu João Beltran na Procuradoria Geral do Município. Administrador competente, mas com a política no sangue, daqueles que não esquentavam banco em gabinete, sempre que Beltran chegava com seus calhamaços de processos Zé Elias alertava: “vou assinar sem ler, mas se tiver alguma coisa errada vamos juntos pra cadeia”.
Depois de quase virar governador, Zé Elias foi duas vezes eleito deputado federal. João Beltran foi para a Procuradoria Geral do Tribunal de Contas do Estado. Detalhe, tudo isso sem blindagem, sem puxa-saquismos e sem que jamais deixassem de bater ponto na Cantina da Mama, ou nas melhores casas do ramo.

