04/12/2012 as 10:40
Quando o sujeito (normalmente ex-deputado ou figurão político que precise ser encostado para não incomodar o establishment) põe aquela “coisa hororosa”, como João Totó Câmara costumava se referir à vestimenta que era obrigado a usar no plenário do Tribunal de Contas, pode até se sentir investido de algum poder de fiscalização, mas tudo não passando de jogo de compadres com prefeitos e periféricos do executivo e do legislativo, o mesmo compadrio entre os vizinhos do Tribunal de Justiça e da Assembleia Legislativa. Ou seja, um órgão de uma inutilidade oceânica, a ponto de alguns de seus acomodados integrantes terem sempre na ponta da língua a expressa orientação aos relapsos do dinheiro público de que o TC é um órgão eminentemente político e que a única coisa que não se pode perder ali são os prazos.
Além de não perder prazos os investigados pelo TC precisam também atualizar seus endereços, pois que só nestes casos, também, poderão ter alguma dor de cabeça. Mas nada que uma aspirinazinha receitada pelos próprios Conselheiros não dê jeito. É o caso do deputado Laerte Tetila, cujas contas quando prefeito só foram rejeitadas, conforme ele vem rebatendo na imprensa, porque não foi localizado e devidamente informado pelo Tribunal, aí perdendo os prazos para defesa. Neste caso, uma baita injustiça do blog com o TC, já que parece tratar-se de ineficiência dos Correios.
Não bastasse toda essa inutilidade e inoperância, seja lá de quem for, o capítulo seguinte dessa história chega a ser hilário, já que a Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara, que faz, a partir de hoje, a análise dos questionamentos do TCE e das respostas de Tetila, é composta pelos vereadores Albino Mendes, ex-vice-prefeito do réu, pelo petista uragânico Dirceu Longhi e por Alberto Alves do Santos, o Bebeto, ex-assessor do prefeito preso e renunciado por corrupção Ari Artuzi. Que tal? Acaba ou não acaba tudo em pizza?
Independentemente disso, na parte que lhe toca, Tetila diz, e não tem porque não acreditar, que, agora, sim, já tomou conhecimento das alegadas irregularidades e que todas elas são passiveis de justificativas, tendo reunido documentos que provam total transparência dos oito anos em que esteve prefeito. Como onde há fumaça há fogo, além de questionamentos de cobrança da dívida ativa do município, o Tribunal de Contas deve ter ido mais fundo na tão propalada implantação do Shopping Avenida Center, que tanto deu o que falar, durante a administração petista. Mas para isso é Tetila quem tem a resposta na ponta da língua: tudo foi feito dentro de um programa de incentivos a instalação de indústrias, não foi doado terreno coisíssima nenhuma ao Shopping, mas sim feita uma venda subsidiada, conforme recomenda a legislação. Por que, então, logo eles, companheiros Albino, Dirceu e Bebeto iriam procurar piolho na careca de Tetila?
Se a companheirada, entre eles secretários e a própria família Tetila, aproveitou para ganhar uns troquinhos a mais com investimentos no Shopping, são outros quinhentos. Business, business, mas nada que, como as lambanças do chefe Lula da Silva, possa confundir o público com o privado, não é mesmo, professor? E que ninguém duvide: movidos pelo mesmo espírito empreendedor não teria sido diferente com Juninho Teixeira se o Shopping tivesse vindo na época do pai, prefeito Humberto; com Manezinho Dourado, sob os auspícios da administração do sogro, Braz Melo; com os irmãos Barbara, os que melhor encarnaram o “ajuda eu” do Valdecir ou mesmo com Bete Balanço, Ely Oliveira e amiguinhas, despontando, já, como as grandes empreendedoras, neste alvorecer da era Zauith. É crime este tráfico de influência? Só saberemos ao final da exibição da nova versão do “Bebê (Lula) de Rosemary”.

