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Rejeição da rejeição das contas de Tetila pode servir de trampolim político

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06/12/2012 as 18:47

Um repórter desses que não se ouve mais nas emissoras de rádio fareja o conteúdo das capangas (na moda nos anos setenta também para carregar dinheiro) dos nobres edis com assento no sobradinho da antiga Casa das Noivas, no centro de Dourados. Pegos com a boca na botija ao saírem, um a um, pelo portão lateral da maior empreiteira da cidade, não tinham como escapar à incomodativa indiscrição do impertinente perguntador radiofônico. Era véspera da votação na Câmara Municipal, para ratificação ou rejeição, do parecer do Tribunal de Contas do Estado, ainda do Mato Grosso, que havia rejeitado as contas de José Elias Moreira por causa da contratação, sem licitação, de uma empresa de notória especialização para a implantação de uma reforma administrativa na prefeitura. Rejeitado o parecer o prefeito poderia até ter o mandato cassado. Foi um fuzuê danado na terra de seu Marcelino Pires, com suas excelências tendo de devolver a dinheirama ao empreiteiro depois de uma reunião (e de novo lá estava o repórter), de última hora convocada por Totó Câmara, que liberou sua bancada para ratificar o parecer do Tribunal.

Para complicar ainda mais as coisas para o filho do Quinzito, ao bater no Ministério Público o processo cai nas mãos de um promotor companheiro de chope do mesmo irrequieto repórter. Detalhe: o promotor, de Rio Brilhante, estava em Dourados apenas cobrindo férias e teria um longo caminho a percorrer até o topo da carreira. Mas não foi preciso. Com Londres Machado e João Leite Schmidt entrando no circuito para salvar a pele de Zé Elias a promoção foi a mais célere que se tem notícia nos meios forenses do Estado, pulando-se etapas, afinal, se o camarada já está em Rio Brilhante, pra que voltar para Dourados para depois seguir para Campo Grande?

Os vereadores até que poderiam ter ficado bonito na foto, mas não tinham como disfarçar que só votaram contra Zé Elias por pressão do tal repórter, da única emissora da cidade. Quatro deles, depois, até viraram deputado, sendo que três mais por força do prestígio do mesmo Totó, cujo troco ao sucessor, até ali tido como esbanjador do dinheiro público, viria ao final do que se tornaria uma bem sucedida administração, tanto que dando aos douradenses a primeira oportunidade de elegerem seu governador, mas com o mais ilustre deles comandando a bateria adversária.

Agora a história se repete. Vacilo ou não de Cecílio Tetila, a batata quente está, de novo, com a Câmara de Vereadores. Se do plenário que mesmo a contragosto votou pela cassação de Zé Elias saíram quatro deputados, por que deste não sai pelo menos um, quem sabe da mesma família de um dos eleitos da época? Eis o problema que anda tirando o sono do ex-prefeito petista cuja careca atribui a um fato relacionado, já que alega ter começado a perder os cabelos quando precisou encarar uma das turmas mais barulhentas do colégio Presidente Vargas, só não imaginado que o mais mocorongo de seus alunos viria ser o mesmo repórter que até hoje insiste em bisbilhotar a vida dos políticos.

Assim, diante do quadro político pintado para 2014, rejeitar, pura e simplesmente, as contas de um prefeito que virou – e está – deputado pode não levar a nada. Então, o negócio é rejeitar a rejeição. Ou seja, deixa tudo como está para ver como é que fica. E que se jogue a culpa no carteiro, que não conseguiu localizar o petista acusado, entre outras coisas, de facilitar a vida dos empresários paranaenses do Shopping Avenida Center. Ou em Carlinhos Cantor (agora acusado de ter engavetado o processo) que já se ferrou, mesmo, com a Uragano.

Plenário da Câmara Municipal de Dourados.Foto: Anita Tetslaff

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