08/12/2012 as 23:23
No final de ano em que Roberto Carlos resolveu voltar a competir com Jingle Bells, em apenas uma emissora de rádio brasileira alguém se atreve contestar o rei da música popular para bater no peito e dizer: esse cara sou eu! O radialista Marçal Filho, que insiste em não querer aprender a lição da professora, e ex-senadora e agora conselheira do Tribunal de Contas, Marisa Serrano, que ensina aos apressadinhos que para chegar lá, na política, só com muita maracujina. Ainda com o lombo ardendo pela sova de Murilo Zauith na última eleição, em que disputou por meio de sua preposta Keliana Fernandes, o deputado tenta criar factóides para se manter vivo até 2014.
Ao mesmo tempo em que mexia a primeira pedra para se escafeder do PMDB (que para evitar um fiasco maior fez o favor de lhe negar legenda), não aceitando participar da composição do novo Diretório, Marçal Filho começou a acionar seus infiltrados na dita e famigerada imprensa subordinada para detonar a administração do, em tese, aliado Murilo Zauith. Pior, atingindo aquele que sempre foi tido como seu grande padrinho político – o governador André Puccinelli, parceiro desde sempre de seu ex-vice-governador, agora prefeito reeleito de Dourados.
Não bastasse o esforço sobre-humano e, como sempre, de má fé, de um manjado jagunço de redação para tentar jogar o secretário de Fazenda Waltinho Carneiro contra a classe empresarial, Marçal Filho usa sua emissora de rádio para, tirando proveito da desgraça alheia, faturar politicamente em cima do caos da saúde pública, como fez esta semana dando eco ao desespero de familiares de um paciente terminal no Hospital da Vida. Interessante e, ironicamente, é que o diz-que-diz-que envolvendo as intermináveis demandas do setor da saúde em Dourados começa lá no primeiro mandato de Marçal, com o sumiço de uma polpuda verba por ele conseguida para a conclusão das obras do hoje Hospital Universitário. Desde então, um “mistééééério”, como dizia Dona Milu, sobre os estranhos acontecimentos em Santana do Agreste.
Marçal Filho deveria se espelhar naquele em cuja administração sua amada Keliana tentou pendurar as contas de sua emissora – o Valdecir Artuzi, que usou o mesmo tipo de demagogia barata para se eleger deputado, depois prefeito, acabou preso, tendo de renunciar ao mandato e, lamentável, por uma dessas ironias do destino, sentindo hoje na pele como é doído – e triste – depender de um sistema de saúde cujas verbas até bem pouco tempo eram desviadas para mensalinho de vereadores. Não custando perguntar também: tivesse Marçal Filho tido a competência para se sentar na cadeira hoje de Zauith a jovem Joelia Medeiros, que filmou o avô morrendo, não teria passado pelo mesmo desgosto?
Além da maracujina recomendada por Marisa Serrano para conter seu apetite político, Marçal Filho bem que poderia descer do salto, pelo menos uma vez na vida, para uma visitinha ao consultório médico de seu colega estadual George Takimoto. Na pior das hipóteses sairia de lá com algumas amostras grátis de ansiolíticos, como os receitados a Zé Dirceu e demais integrantes da quadrilha de mensalão, já que pode ser o próximo da fila. Aí, amigo, a coisa fica preta, e babau retorno, ao Congresso, claro, até porque no STF o cara é outro, um tal Joaquim Barbosa.
