13/12/2012 – 08:19hs
Um dia após vir à tona depoimento em que o empresário Marcos Valério o acusa de envolvimento direto no mensalão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencionou a hipótese de “voltar a ser candidato” durante discurso feito em Paris.
A declaração foi feita quando ele citava a resistência eleitoral sofrida do empresariado antes de chegar ao Palácio do Planalto, em 2003.
“Certamente não votaram em mim por medo”, disse o petista, acrescentando ter hoje “orgulho de dizer que eles nunca ganharam tanto dinheiro na vida” ou geraram tanto emprego quanto na sua gestão.
Em seguida, arrematou: “Espero que, se um dia eu voltar a ser candidato, eu tenha o voto deles, que eu acho que não tive nas outras eleições”.
A afirmação provocou risos e aplausos na plateia, que assistia ao encerramento de seminário realizado pelo Instituto Lula e pela Fundação Jean-Jaurès, ligada ao Partido Socialista francês.
Em depoimento à Procuradoria-Geral da República, Valério disse entre outras coisas que dinheiro do mensalão foi usado para pagar despesas pessoais de Lula, que também teria dado aval para a tomada de empréstimos bancários pelo esquema.
As afirmações do operador do mensalão levaram a oposição e ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) a defenderem investigação sobre o ex-presidente.
Em reação, a presidente Dilma Rousseff ordenou que o governo e os aliados saíssem em defesa de Lula.
O ex-presidente já havia manifestado a possibilidade de voltar a concorrer a um mandato. Durante a disputa em São Paulo, ele disse que se Dilma não se candidatar à reeleição, ele assumirá disputa para “não permitir que um tucano volte à Presidência do Brasil”.
Depois, em outra entrevista, se limitou a dizer que a candidata é Dilma.
Recentemente o publicitário João Santana, que comandou o marketing eleitoral de Lula em 2006 e 2010, afirmou que o ex-presidente é o melhor nome do PT para o governo paulista em 2014.
Em Brasília, integrantes do governo disseram que Lula não cogita voltar ao Planalto, mas não descarta a sugestão de João Santana.
Eles também afirmaram que o ex-presidente quer sair em caravana pelo Brasil em 2013. A estratégia é vista no Planalto como uma tentativa de se defender dos desgastes políticos recentes.
Além do caso do mensalão, a imagem de Lula foi atingida pela operação policial que flagrou uma ex-assessora sob suspeita de envolvimento com corrupção.
Lula teria dito a amigos que “está doido de vontade de fazer caravanas”.
Apesar disso, não há, por ora, um plano de viagens, segundo o Instituto Lula.
As “caravanas da cidadania” comandadas pelo ex-presidente nos anos 90 e em 2001 passaram por mais de 400 cidades do país.
IMPRENSA
Lula concentrou a maior parte de seu discurso de ontem, de mais de uma hora, exaltando realizações de seu período à frente do governo (2003-2010) e dando conselhos para a Europa sair da crise econômica.
Sem citar diretamente o depoimento de Valério, ele criticou a imprensa.
“Quando um político é denunciado, a cara dele sai de manhã, de tarde e de noite no jornal. Vocês já viram a cara de algum banqueiro no jornal? Sabe por que não sai? Porque é ele que paga as propagandas nos jornais”, disse.
Anteontem, em rápida declaração, Lula disse que o depoimento é “mentira”. Ontem ele não deu entrevistas. Seguranças o isolaram da imprensa.
O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, criticou o vazamento do depoimento, que é sigiloso. “Não vou comentar. Isso é público? Conseguiram isso como? Foi roubado? Eu não vou comentar algo resultado de um crime”, disse, afirmando que falará sobre o caso no Brasil.
No depoimento, Valério diz que sofreu ameaças de morte de Okamotto, o que ele nega. (Rodrigo Vizeu, Bernardo Mello Franco e Fernanda Odilla, Portal UOL).

