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Era para ser o começo do fim do varejo na política

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23/01/2013 – 17h09

Coração (ou, no caso, o pé) de mãe não se engana. Ou será que passa pela cabeça de alguém que o prefeito reeleito da maior cidade do interior do Estado iria fugir da raia só porque um tucaninho lá da beira do Aquidauana bateu asas rumo ao ninho dos prefeitos em Campo Grande dizendo que com ele não tinha esse negócio de consenso, que queria porque queria ser presidente da Assomasul e que se preciso fosse atropelaria até o governador André Puccinelli? Pois é. Murilo Zauith só não peitou este Douglas aí, enfim, o eleito, o camarada lá do Bolsão e outros dois ou três colegas também de cidadezinhas periféricas com a mesma pretensão porque, bem no auge da campanha, precisou voar também, só que por uma causa mais nobre, indo matar a saudade do colinho da mamãe, com um pé quebrado, em Ribeirão Preto.

Estava tudo preparado. Empolgado pela retumbante reeleição como prefeito de Dourados, Murilo Zauith aproveitaria a eleição de ontem da Assomasul para a primeira mexida no tabuleiro da sucessão estadual de 2014. Gostaria de chegar lá como candidato de consenso, afinal, nestes tempos de vacas magras para políticos que não comungam dos ideais lulistas não é de bom tom ficar esbanjando dinheiro a torto e a direito com eleiçãozinha classista, já que o grosso da coisa deve ser guardado para a disputa no voto popular. Mas, se preciso fosse, peitaria, da mesma forma, não André Puccinelli, de quem jamais esperaria um ato de traição, mas a governadora interina Simone Tebet e o senador Waldemir Moka, desde o início cabalando votos para o peemedebista Waldeli Rosa, de Costa Rica.

Uma vez investido no cargo cuja condição para assumi-lo parece ser a de não ameaçar o establishment, Murilo Zauith começaria a alinhavar não o seu projeto político, mas um projeto para melhorar a representatividade da Grande Dourados. Com base nos ensinamentos do guru herdado de Londres Machado, o ex-vereador fátima-sulense e, não por coincidência, irmão de um ex-presidente da Assomasul, Zito Jorge Leite, a idéia era montar um pacote, independentemente de partidos, com os mais representativos nomes da região, para apresentar a Nelsinho Trad, Simone Tebet ou – e por que não? – a Delcídio do Amaral. Além da retomada da cadeira que um dia foi sua, à sombra do famoso pé de Chico Magro, ao lado do gabinete ainda de Puccinelli, Zauith entende que Dourados pode e merece voltar a ter três cadeiras na Câmara dos Deputados, na mesma proporção as quatro ou até mais que já teve na Assembleia Legislativa e, finalmente, a tão sonhada cadeira no Senado, de preferência, evidentemente, para ele.

Vou mais longe, por desconfiar que Zauith ainda possa ter alguma carta uragânica no bolso do colete, o que lhe permite acreditar que Delcídio do Amaral acabe quebrando a cara, que o governador precise de um tertius por não saber o que fazer com Nelsinho Trad e Simone Tebet e, principalmente, por tratar-se de André Puccinelli, e não de Murilo Zauith, o nome já consagrado para o Senado, eis aí a chance de Dourados, finalmente, ter seu governador. Mas, só se for chapa de consenso, claro! E, tudo no atacado.

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Murilo Zauith, o tertius? Foto: Anita Tetslaff

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