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Procura-se um papa mais jovem: dois dos nomes mais citados para substituir Bento 16 têm como desvantagem a idade

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15/02/2013 – 15h58

As apostas sobre os papáveis são a principal distração jornalística às vésperas de um conclave. E também uma forma discreta de colocar em circulação um nome, ou queimar definitivamente algum outro. Mas, para além do que é questionável nas apostas, uma questão parece clara: depois do pontificado de Bento 16, marcado por uma certa falta de comunicação com as massas de fiéis, especialmente da América Latina, e um ar decadente (não se pode esquecer sua paixão pela velha liturgia, e os paramentos religiosos antigos), a Igreja Universal precisa de um papa jovem. Haveria candidatos que atendam a essa primeira exigência? É claro que sim, contanto que por jovem se entenda alguém que esteja em sua sexta década de vida (de preferência mais para o final). Nessa situação, ou seja, entre os 60 e os 70 anos, se encontram 40 cardeais. Além desses, há outros cinco, entre os 50 e os 60 anos. Claro, o grosso dos purpurados que participarão do conclave – exatamente 72 – está no limite da idade (entre os 71 e 79 anos). Afinal de contas, a Igreja – suas altas esferas – , pelo menos desde a Idade Moderna, tem sido um grande centro geriátrico.

Ainda que a idade seja essencial, ela não é o único requisito que será levado em conta para a eleição do sucessor de Ratzinger. A nacionalidade, por mais estranho que pareça, continua tendo seu papel. Os italianos, que dirigem a Cúria vaticana desde tempos imemoriais, tiveram que ceder o protagonismo para se adaptarem à natureza multinacional da Igreja. Há 35 anos não há um papa italiano, mas não se deve subestimar seu poder nem sua preponderância no conclave. Com 28 cardeais, eles são o maior bloco nacional.

Esses dados explicam por que o arcebispo de Milão, Angelo Scola, 71, se tornou um dos candidatos mais citados para suceder Bento. Scola, nascido na província de Lecco, na Lombardia (região mais rica e desenvolvida da Itália), é um teólogo que estudou na Universidade de Friburgo com Ratzinger, e assim como seu antigo professor, falta-lhe vitalidade e capacidade de gerar entusiasmo. Um compatriota e estudioso como ele, o filósofo Massimo Cacciari, o descartou ao lembrar que a Igreja, imersa em uma crise muito profunda, “precisa de um pastor”. Em outras palavras, ele disse: alguém que comunique vida, sentimentos humanos, e não puro conhecimento teológico.

Scola conta com o apoio do Comunhão e Libertação, um movimento religioso muito ativo na Itália, e possui um currículo eclesiástico perfeito: foi patriarca de Veneza (assim como João 23) e arcebispo de Milão (como Paulo 6). A diocese milanesa é uma das mais ricas e importantes do mundo, e entre seus pastores históricos está o cardeal Carlo Maria Martini, morto no ano passado e que foi o candidato in pectore ao papado da Igreja progressista.

Na Itália não são poucos os meios que especulam sobre a possibilidade de que Ratzinger tenha se demitido depois de deixar bem amarrado o próximo conclave. E apontam inclusive o nome do cardeal que o sucederia: o francês Jean-Louis Tauran, que em abril completará 70 anos. Tauran, que ocupa um alto cargo na Cúria romana – preside o Conselho Pontifício para o Diálogo Interreligioso – , é um poliglota diplomático que João Paulo 2 nomeou bispo e depois cardeal. Como cardeal protodiácono, confirmado por Bento 16 nesse cargo em 2011, caberá a ele anunciar ao mundo o novo Pontífice. Supõe-se que algum colega o substituiria caso seja ele o eleito.

Mais ou menos a mesma idade de Tauran tem o arcebispo de Tegucigalpa, Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, salesiano de 70 anos e um dos papáveis mais citados no conclave anterior. Desta vez, Maradiaga deixou claro que não se considera apto a ocupar a sede de Pedro. No conclave de 2005, esse hondurenho afável e acessível foi citado milhares de vezes como o candidato progressista perfeito para liderar a Igreja. Só havia um obstáculo: aos 62 anos de idade, era jovem demais. E esse obstáculo se mantém no caso do arcebispo de Manila, Luis Antonio Tagle, que tem 55 anos.

Quase oito anos depois, Maradiaga pode estar velho demais. E pode ser desconsiderado, como já lhe aconteceu – ainda que não somente por sua pouca idade – no conclave de 2005, quando foi derrotado pelo jesuíta argentino Jorge Mario Bergoglio, 76, segundo colocado na votação final, e pelo próprio Ratzinger.

Se, como apontam alguns especialistas, chegou a hora de tirar o poder da Igreja da Europa, os candidatos mais bem situados seriam o canadense Marc Ouellet, 68, que preside o ministério dos bispos, o ganense Peter Appiah Turkson, 64, que dirige o Conselho de Justiça e Paz, no Vaticano, e o brasileiro Pedro Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, de 63 anos de idade. A aposta provavelmente se resolverá no final de março.Lola Galan do El País em Roma

Papa Bento 16 lê documento em latim que anuncia sua renúncia durante uma reunião de cardeais realizada no Vaticano. O pontífice é o primeiro a deixar o cargo em cerca de 600 anos

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