20/10/2013 – 15h51
Nós somos o que fizeram de nós, somado ao que, a nós mesmos, nos fizemos.
Carências, conquistas, fracassos, vitorias, derrotas, somatizam-se em nosso ser, misturados ao conhecimento adquirido, vivências inusitadas, saldos negativos ou positivos dos sentimentos que nortearam a nós mesmos e as pessoas que conosco conviveram ou, simplesmente, passaram por nossas vidas.
Não somos o presente. Somos a junção de tudo que vivemos e, mais ainda, as expectativas sobre nosso futuro que não deixam de molestar ou satisfazer nosso presente momento. Além disso, não somos ilhas em meio à comunidade humana. Santo Agostinho, profundo conhecedor do que significam as fragilidades em nossas vidas, afirma: “Necessitamos um do outro, para sermos nós mesmos”.
Necessitamos do outro não apenas naquilo que seja bom, mas também, nas vicissitudes que nos provocam. Somos a espada e o escudo. Batemos e rebatemos tudo explicado pela ânsia de querer viver ou, mesmo, sobreviver.
No compasso da existência somos também vitimas ou heróis por nossas escolhas. É salutar lembrar o que diz Ana Carolina, quando afirma: “Quero dias diferentes, pessoas que me acrescentem, quero vida e muita alegria ao meu redor, quero luzes coloridas e brilhantes, quero paz, quero amor, quero a liberdade de saber quem eu sou! ” E, com Chico Xavier, dizemos: “Ninguém cruza nosso caminho por acaso e nós não entramos na vida de alguém sem nenhuma razão”.
Quando olhamos a natureza, reconhecemos que ela, também, faz parte de nossa existência, influenciando em belos dias, momentos de euforia e despejando negatividade e tristeza nos dias mais bochornos. Não somos ilhas, nem no pedaço que nos compete participar do universo.
Posso afirmar como testemunho de vida e fé que a existência de Deus é única tabua verdadeira que nos complementa e nos vivifica. Somos incompletos. Somos sumamente frágeis, por nossas deficiências ou pelas infringências do outro. Abatemo-nos com facilidade incrível. Lembro e me contento ao ler o Salmo 42 do rei Davi, no verso 11 que diz: “Por que estás abatida, o minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei a ele que é o meu socorro, e o meu Deus”.
As fragilidades que se somam em nossas vidas, muitas vezes, são originadas por amores não correspondidos; renuncias não justificadas; dores sofridas por injustiças cometidas à revelia da lei e de Deus; pela falta do poder que advém de cargos ou dinheiro; do mal estar provocado por aqueles que não amam e se divertem com o sentimento alheio; de perdas irreparáveis que tatuam nosso coração e alma de maneira eternamente inconsolável.
E, se não conhecemos totalmente a nós mesmos porque não temos a noção exata do que restou na soma de tudo aquilo que vivemos, lembramos que, também, não é conveniente julgar o outro porque dele temos, ainda, menor conhecimento. Eis as palavras oportunas de Paulo Coelho: “Não devemos julgar a vida dos outros, porque cada um de nós sabe de sua própria dor e renúncia. Uma coisa é você ACHAR que está no caminho certo, outra é ACHAR que seu caminho é o único! “.
Tenho pela figura do grande filosofo e pensador Friedrich Nietzsche, grande respeito e admiração, colocando como contraditório o fato de não haver crido em Deus, contudo, conhecia o ser humano de maneira profunda, e talvez, por isso, execrava quem o criou. É dele, no entanto, estas sábias palavras que encerram este nosso trabalho: “Se houver amor em sua vida, isso pode compensar muitas coisas que lhe fazem falta. Caso contrário, não importa o quanto tiver, nunca será o suficiente”. Acontece que, em mim, mora a convicção de que só existe amor quando existe Deus.
Benê Cantelli/professor e campista
cantelli@terra.com.br

