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Só pensando no retorno, Azambuja tratora “adversários”

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26/01/2016 – 11h11

Antes que o leitor mais atento pergunte vou logo respondendo, e explicando, o porquê da palavra retorno não aparecer em itálico, como soer acontecer, principalmente nos títulos de alguns textos. Confesso que até me deu uns comichões, até porque indiretamente tudo o que aconteceu ontem na concorrida cerimônia de refiliação do deputado Beto Pereira ao PSDB, no plenário da Assomasul, em Campo Grande, aponta para o sentido do neologismo criado por este Blog no pós Uragano, mas contei até dez, já que a tesoura de Reinaldo Azambuja e de seu plenipotenciário chefe da Casa Civil Sérgio de Paula anda mais afiada do que a de Filinto Muller no auge da censura da ditadura de Getúlio Vargas.

Como indicativo de propina – daí a preocupação em não ter mais um texto censurado por aqueles que inutilmente tentam estancar a lama asfáltica que insiste continuar inundando o gabinete que era de André Puccinelli – o retorno, deste título, teria que ser precedido pela proposição “em”, embora o “no” (não confundir com “nó”, o “cego”, neste caso também relacionado) também remeta ao que o governador-censor possa estar pensando, sem medo ou no sentido de ser feliz. Enfim, para não dar um nó na cabeça do leitor, digamos, menos atento (mas que nem por isso deixa de engrossar os números da pesquisa divulgada ontem, mostrando que para cada grupo de dez brasileiros seis acreditam que o maior problema do Brasil é a corrupção) o retorno grafado assim, normalmente, é aquele do verbo retornar. Em 2018, evidentemente.

Outra coisa, ainda na linha das prosopopéias e perfumarias. Por que, ainda neste título, as aspas em adversários, palavra que segundo mestre Aurélio define os de oposição ou que lutam contra, e não em tratorar, que seria uma derivação de trator, mas que só existe do populacho como verbo, no sentido de atropelar ou de passar por cima? Porque com os retornos, como o de Beto Pereira ao ninho tucano, muito provavelmente à custa daqueles outros retornos (deu pra entender agora?) saídos do bolso do contribuinte o governo vai, senão acabando, pelo menos diminuindo com o número daqueles que podem atrapalhar a tão decantada “governabilidade” na Assembleia Legislativa. Ou seja, sem adversários entre os deputados, com a costumeira complacência do Tribunal de Justiça e com o Tribunal de Contas presidido pelo tucaninho Valdir Neves (sem contar os milhões destinados à imprensa subordinada), os ex-gerentes de banco Sergio de Paula e Ivanildo Miranda e um ou outro Azambujinha que não honra muito o nome de uma das mais tradicionais famílias do estado podem se esbaldar.

Tanto “tratora” (antes que venha um novo processo) adversários para seu retorno em 2018 que Azambuja interrompeu suas férias com a desculpa de abonar a ficha de refiliação de um deputado de Terenos, mas ficando muito claro a observadores mais atentos que o real motivo de sua presença ali era outro retorno, só que bem mais rentável, ao mesmo ninho – o do deputado Geraldo Resende, que só nesta condição seria ungido como o candidato governista a prefeito de Dourados. Com isto, possibilitando o retorno de Fábio Trad à Câmara Federal, concomitantemente com o retorno, também, de seu irmão, Nelsinho à prefeitura de Campo Grande. Tudo, pois, é uma questão de retorno. Com ou sem aspas, em itálico ou não.

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Beto Pereira, de retorno, entre o secretário de fazenda e o governador do Estado. (foto-Edson Ribeiro)

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