10/02/2016 – 04h06
O PT “comemora” nesta quarta-feira de cinzas seus 36 anos de fundação em Mato Grosso do Sul. Antônio Carlos de Oliveira Nantes, então deputado federal, eleito pelo extinto MDB (Movimento Democrático Brasileiro), trocou uma reeleição garantida por uma frustrada candidatura ao governo do estado pelo novo, o que culminaria com o encerramento precoce de sua até então promissora carreira política.
Antônio Carlos representava o sonho de um partido realmente dos trabalhadores, ético, progressista, com o firme propósito de combater a corrupção e que tinha a nível nacional, como seu maior expoente, o metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva. Decepcionado com a derrota, o deputado que representava a região norte do Estado, abandonou MS e, em Brasília, passou a ser assessor de sua então esposa, Beth Mendes, na época atriz famosa da Rede Globo, eleita deputada federal por São Paulo.
Com a saída de Antônio Carlos de Oliveira o PT, praticamente sem quadros, foi a zero e nas eleições seguintes, com desempenho eleitoral pífio. Em 1988 por muito pouco não conseguiu eleger o seu primeiro vereador em Campo Grande – o bancário José Orcírio Miranda dos Santos. Em 1990, já como Zeca do PT, José Orcírio elegeu-se deputado estadual. Nascia efetivamente o PT em Mato Grosso do Sul.
No gabinete de Zeca na Assembleia destacava-se como seu principal assessor o sobrinho, Vander Luiz dos Santos Loubet, seu fidelíssimo escudeiro, parceiro de primeira hora. A reeleição de Zeca, em 1994, foi moleza, não obstante, ainda, os parcos recursos. Dois anos mais tarde, em 1996, a eleição em que Zeca até hoje reclama até hoje ter sido literalmente ‘garfado’ nas urnas. Seria eleito prefeito de Campo Grande, mas perdeu na ‘mão grande’, por uma diferença de apenas 411 votos, para o italiano André Puccinelli.
Passados mais dois anos, em 1998, Zeca na condição de ‘zebra’, amparado na aguerrida militância petista, tornou-se governador do estado. Vander, o sobrinho preferido, foi nomeado chefe da casa civil. Do nada, virou homem poderoso e transformou-se num ‘grande articulador’.
Zeca foi reeleito e Vander, com estupenda votação, foi eleito deputado federal.
Todavia, quem viveu viu, a campanha de 2002 ganhou outro colorido, foi milionária. O sobrinho do governador, até então um quase desconhecido, teve votos em todo o Estado, a peso de ouro. Nas eleições seguintes, Loubet, a grande revelação, já um homem rico, reelegeu-se com facilidade, mas sempre com campanhas caras e com grande ostentação.
Hoje, quem é do Mato Grosso do Sul e analisa com isenção, não se surpreende com o seu envolvimento de Vander Loubet no Petrolão. Casado, pai de dois filhos, Vander não pode mais sair às ruas com tranquilidade.
Será que valeu a pena?
Lívia Martins(Jornal da Cidade)

