07/03/2016 – 10h41
Como não quis esperar passarem as águas de março do verão mais chuvoso desde que aqui desembarcou de um caminhão pau-de-arara, na década de 1960, Geraldo Resende foi obrigado a largar com pneus de chuva, o que já é um problema para uma corrida que começa, pra valer, na secura do mês de agosto. Ressalve-se que foi apenas uma pré-convenção, já que a homologação, mesmo, de candidaturas, só no prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral, agora esticado de junho para agosto. Mesmo assim, como estrategista do marketing que diz ser, o deputado que se preparou a vida inteira para ser prefeito quis ter certeza de que a pista peemedebista está limpa, até para evitar a tentação de um retorno ao ninho tucano, o que provocaria inevitável desgaste, afetando ainda mais a credibilidade de quem tem uma trajetória marcada pela instabilidade ideológica, por mais abstrato que seja este elementar conceito da refrega política.
Claro que pesou também o faniquito patológico. A vontade de largar na pole position, de liderar de ponta-a-ponta para a tão esperada selfie do alto do pódio é tamanha que Geraldo Resende vem há tempos se submetendo a um intensivo programa de treinamentos. E nada desse negócio de bólido cheio de tecnologia como os de Fórmula 1, onde os motores vão de zero a trezentos km/h em fração de segundos. Para quem tanto se orgulha de ter subido na vida vendendo picolé, entregando o jornal do seu Amaral ou manuseando tipos móveis dos caixotins para os componedores e bolandeiras da gráfica do jornal de Theodorico Viegas tinha que ser tudo a bordo do cockpit de seu famoso tratorzinho a manivela, mas potente o suficiente para esmagar não apenas os companheiros de partido com qualquer tipo de pretensão ou avançar para atropelar também os adversários.
Tanto assim que o peemedebista nem quis saber de esperar pelas demais escuderias para a formação do grid de largada. Ele sabe das vantagens de largar na frente, ainda mais numa pista tão difícil, com tantas variantes, como a que leva ao CAM – o Centro Administrativo Municipal. Embora pareça ignorar conhece mais que ninguém as regras dos inevitáveis pit-stops, não só para trocar os pneus borrachudos pelos slicks (os lisos, para pistas secas), também as paradas para reabastecimento ou, o que para ele poderia ser fatal, uma derrapagem, que seja, sua ou de algum companheiro de equipe, na lama asfáltica que, quiçá!, possa vir a ser jogada na pista por Murilo Zauith, o que obrigaria a entrada do safety car, e, aí, na relargada, com as baratinhas de Délia Razuk, de Marçal Filho, de Barbosinha e até dos nanicos retardatários em seu retrovisor.
Mesmo assim, obstinado, Geraldo Resende adotou como mantra o bordão de Galvão Bueno: chegar é uma coisa, ultrapassar é outra. Seu único problema é Mito Gebara mudar o traçado da pista na última hora. Imagine, depois de tanto sacrifício, um rolo compressor programado para descer pela Marcelino Pires até a Coronel Ponciano, daí só pegar à direita, sem maiores dificuldades de manobra, e o piloto-candidato fica sabendo que para “chegar lá” teria que ter atalhado pela rua Mozart Calheiros e, uma vez na mesma Coronel Ponciano, em vez de entrar na rotatória que dá acesso ao pátio da prefeitura, onde o cenário da posse já estaria montado, precisando ainda entrar à direita, passar pelo Douradão, seguir até o Detran, para, tchantchantchantcham! Que bandeirada, que nada! Como o circuito douradense é todo de retas, o prefeito Zauith resolveu fazer no retorno, ops!, em frente ao Detran uma obra para marcar sua administração e que lembre a mais famosa curva da Fórmula 1 – a do Cassino, no lendário circuito de Monte Carlo, em Mônaco, na Itália. Um retorno na reta de chegada? Por essa Geraldo Resende não esperava.
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