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Estridente, trio de deputados assume linha de frente da defesa de Temer

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24/07/2017 – 07h44

Quarta-feira, 17 de maio, 19h30. Eclodia a mais grave crise do governo Michel Temer até o momento: o empresário Joesley Batista, do grupo J&F, havia gravado o presidente, segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República), a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Darcísio Perondi (PMDB-RS) estava no carro a caminho da Câmara. Carlos Marun (PMDB-MS) aguardava uma audiência na antessala do ministro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), no quarto andar do Palácio do Planalto. Um piso abaixo, Beto Mansur (PRB-SP) esperava o presidente na porta de seu gabinete com um pendrive na mão para apresentar sua expectativa de votos para a reforma da Previdência.

Dois meses depois, o trio, que um ano antes havia trabalhado pelo impeachment de Dilma Rousseff, assumiu a defesa do presidente. “Estou sempre muito à disposição. Às vezes ele [Temer] liga, manda um WhatsApp. Tomo cuidado para não ser um pentelho”, diz Mansur.

No cardápio de frases pró-Temer, há pérolas como [a delação de Joesley] “vale tanto quanto uma nota de R$ 2,37” (de Marun), “Michel Temer é vítima de um conluio montado pelo satânico Janot” (de Perondi) e “Michel está com a faca nos dentes e vamos vencer” (de Mansur).

A atuação do trio ficou mais evidente durante a tramitação da denúncia na CCJ, onde também se viu que nem todos os passos da tropa de Temer são coordenados. Pouco antes de começar a sessão, Perondi informou que o Planalto queria levar a votação em plenário para agosto. Marun negou com a a veemência que lhe é peculiar. No fim do dia, viu-se que Perondi estava certo.

Nos bastidores, o trio às vezes é criticado por alguns aliados por falar demais. No entanto, é consenso entre os governistas que os três cumprem um papel que poucos estão dispostos a assumir: apoiar publicamente um governo que tem 7% de aprovação, segundo o Datafolha. “Meu objetivo é aprovar a [reforma da] Previdência, a lei trabalhista, a modernização do Estado. O Michel faz parte deste processo. Prefiro manter ele governando do que sair numa aventura”, afirma Mansur.

O deputado diz ter conhecido o presidente no final da década de 1980, quando era vereador em Santos (SP) e Temer, secretário de Segurança Pública de SP. Já passou por seis partidos e foi prefeito de Santos, onde fica o porto sobre o qual o presidente historicamente tem influência.

No primeiro mandato, Marun tem histórico de brigar por causas polêmicas –é um dos mais aguerridos defensores do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba. Sempre estridente e brincalhão, ficou preocupado ao ver o estado de Temer após a bomba da JBS estourar.

“Vi o presidente muito abalado, tanto que resolvi ficar em Brasília no fim de semana. Tivemos que fazer uma motivação forte. Recebi mensagens de apoio no celular e mostrei a ele”, conta Marun. De longe, o defensor mais enfático é Perondi, que sabe que seu empenho o faz motivo de ironias de colegas.

“O futuro é dos loucos do presente. A gente não vai trazer o futuro se não tiver gente determinada”, diz Perondi, que repete à exaustão o discurso do “governo reformista” que tem um “time” (eles) e um “líder” (Temer). (Daniel Carvalho e Luiza Franco/FSP/DF)

Carlos Marun (PMDB-MS), Darcisio Perondi (PMDB-RS) e Beto Mansur (PRB-SP)

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