09/03/2021 – 10h38
A história se repete, no mesmo HU, também um ‘elefante branco’ do governo Collor de Melo
Pautado hoje pelo colega Silva Júnior num de seus canais de rádio na web a respeito da importância da representatividade política de Dourados no Congresso Nacional, peguei como gancho a “inauguração” do Hospital da Mulher e da Criança presidida ontem pelo ministro da Educação, Milton Ribeiro, em Dourados. Se Dourados não tivesse dado o jaguané em Geraldo Resende na última eleição bem provável que o próprio Geraldo, agora na condição de deputado-suplente-licenciado e secretário de estado da Saúde não fosse um dos cúmplices do deplorável espetáculo: em plena pandemia, com gente morrendo aos borbotões, a inauguração de um Hospital sem leitos, sem equipamentos, sem corpo clínico, enfim, um hospital “pelado”.
Mesmo como coadjuvante, Geraldo Resende não tinha como não participar da entrega da obra. Afinal fez sua parte enquanto estava em Brasília. Mas, ainda ressentido com o eleitorado douradense desabafou ao blog: “Grande luta! Grande conquista! Só esta obra vale a pena pelos mandatos”, disse, para alfinetar: “agora é suplicar para os parlamentares da capital apresentarem emendas para o anexo 2, já Dourados com esta ‘sabedoria’ de seus eleitores abdicou de representação no senado (nunca teve) e, mais recentemente, também na Câmara dos Deputados”.
De sua parte, prefeito Alan Guedes perdeu a oportunidade histórica de começar a se firmar como liderança regional ao curvar-se diante dos desígnios bolsonaristas, aceitando passivamente a “inauguração” de um hospital apenas para que não se perdesse a oportunidade do Dia Internacional da Mulher, para uma demagogia básica. Em plena pandemia foi lá, com toda seu entourage, vereadores inclusive, fazer as honras da casa ao ministro da Educação (não deveria ser o da Saúde?). Tivesse ele um mínimo de tirocínio político rechaçaria peremptoriamente o circo montado no HU, até porque é o prefeito da segunda cidade do estado e como tal deveria se impor. Claro, o hospital inaugurado tem outra finalidade, mas num momento em que pacientes de Covid esperam por UTI em corredores dos hospitais convencionais no estado, bem que poderia haver um mínimo de bom senso.
Mas, que se dê o desconto ao jovem prefeito, que ainda brincava de betes nos amplos calçadões do BNH-III quando começou a roubalheira no Hospital Universitário. Não tanto como nos tempos owari-uragano-lava-jatistas, mas já naquela época valendo a máxima “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Daí o atraso na entrega da obra, naquela época, o que fez do hospital palco do evento de ontem, também um elefante branco. Iniciativa do então deputado federal Valdir Guerra, cujo irmão, Alceni Guerra, era o ministro da Saúde do governo Collor de Melo, a obra teve seus recursos solapados pelos famigerados retornos antes mesmo de ser entregue – coisa aí de cerca de R$ 5 milhões. Dinheiro que, como agora, seria destinado aos mesmos tipos de equipamentos que faltam ao Hospital da Mulher e da Criança.
Menos mal que como pai da criança nascida ontem em Dourados em meio à pandemia sem direito sequer a um berçário, Geraldo Resende tem uma grande oportunidade de repetir o que fez lá atrás com o Hospital Universitário: como secretário de Saúde do Governo Zeca do PT foi ele quem viabilizou os recursos para a aquisição dos equipamentos que possibilitaram a entrada em funcionamento do HU. Para que o serviço seja completo, pois, para que valha a pena de verdade seus mandatos, que ele trate de equipar o Hospital construído com os recursos de suas emendas.

