O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva vai oficializar, em anúncio nesta quinta-feira, a indicação do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para assumir o Ministério da Indústria e Comércio, diante de dificuldades em encontrar um nome do setor econômico que aceitasse a tarefa. Lula também vai oficializar a nomeação do ex-governador do Piauí e senador eleito Wellington Dias (PT) para o Ministério do Desenvolvimento Social, pasta responsável pelo Bolsa Família.
O próprio Wellington Dias confirmou, ao chegar para a cerimônia no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), que assumirá a pasta, que também era cobiçada pela senadora Simone Tebet (MDB-MS). A nomeação pode abrir uma crise com a aliada, que apoio Lula no segundo turno da campanha. Isso porque ela havia dito que só entraria para o governo se fosse para comandar o ministério responsável pelo Bolsa Família.
O PT resiste em entregar o comando do ministério para outro partido, já que o órgão conduzirá o principal programa social do governo. A pasta é vista como uma vitrine eleitoral capaz de projetar seu ministro para disputar o pleito em 2026. Por isso, o PT não quer entregar a pasta a uma possível concorrente da próxima eleição presidencial.
A expectativa, de acordo com integrantes da equipe de transição, é de que pelo menos 15 pastas tenham seus titulares anunciados.
Alckmin vai acumular a função de vice-presidente com a de ministro. Ele foi escolhido com o objetivo de estabelecer diálogo com o setor empresarial
A escolha do vice-presidente eleito para o posto ocorre após sucessivas negativas de empresários e evidencia a dificuldade de Lula atrair integrantes do meio empresarial para o posto.
Nos últimos dias, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva, e Pedro Wongtschowski, do Grupo Ultra, foram convidados por Lula para comandar a pasta, mas não aceitaram.
Paula Ferreira/O Globo-Brasília
