O Alto Comando do Exército definiu, nesta terça-feira, os três generais que serão promovidos a quatro estrelas, o topo da hierarquia militar. São eles: Kleber Nunes de Vasconcellos, atual comandante da 1ª Divisão de Exército no Rio; Hertz Pires do Nascimento, vice-Chefe do Estado-Maior do Exército; e Luiz Fernando Baganha, ex-chefe da Segurança e Coordenação Presidencial no governo de Jair Bolsonaro. Outros oficiais que tiveram suas imagens vinculadas à gestão anterior, porém, foram preteridos.
Baganha foi o único oficial que ocupou postos de destaque na administração bolsonarista a ser promovido. Além de chefiar a Segurança e Coordenação Presidencial, ele foi secretário-executivo do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno. Baganha, que pediu para deixar o governo em 2021 para assumir o comando da 1ª Região Militar do Rio, é considerado discreto, equilibrado e não se envolveu em polêmicas.
Os novos generais de quatro estrelas substituem o atual comandante do Exército Tomás Miguel Ribeiro Paiva e seu antecessor, Júlio Cesar de Arruda, que passaram para a reserva ao assumir o comando da Força. A terceira vaga é do general Valério Stumpf, atual chefe do Estado-Maior do Exército, que passará para a reserva em abril. Na mesma reunião, ficou decidido que o Stumpf, que ocupa o cargo de número 2 da Força, deverá ser substituído pelo general Fernando Soares, atualmente no Comando Militar do Sul.
Recém escolhidos para serem promovidos, Baganha está cotado para assumir o Comando Militar do Norte, enquanto que Vasconcellos deverá ser designado para o Comando Militar do Oeste e general Hertz para o Comando Militar do Sul. As movimentações na cúpula da Força, porém, ainda não estão definidas.
A promoção de generais é definida por voto de cada uma dos 17 integrantes do Alto Comando do Exército. Embora o histórico na carreira militar seja levado em consideração, o voto é uma escolha individual.
As Forças Armadas têm procurado superar as desconfianças do Palácio do Planalto com os militares, acentuadas após os atos golpistas do dia 8 de janeiro, quando integrantes da caserna foram acusados de ter sido lenientes com os invasores. Um dos que ficou de fora da lista de promoções foi o general Carlos José Russo Assumpção Penteado. Ele atuou como secretário-executivo de general Heleno no GSI.
Embora tenha sido nomeado pelo governo passado, Penteado ainda estava no cargo durante os ataques golpistas de 8 de Janeiro. Ele foi exonerado no dia 23 de janeiro. A tendência é que ele passe para a reserva.
Outro personagem que poderia ter ascendido, mas não foi agraciado, é o general Heber Portella, que chefia o Comando de Defesa Cibernética. No final de 2021, ele passou a integrar a Comissão de Transparência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicado pelo então ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, homem de confiança de Bolsonaro e candidato a vice do ex-presidente na disputa de 2022.
A comissão foi criada pelo então presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, em meio aos ataques de que Bolsonaro fazia ao processo eleitoral sem jamais ter apresentado uma prova. Os militares fizeram uma série de pedidos de mudanças no processo eleitoral. A exposição também deve prejudicá-lo a chegar ao topo da carreira.
Jussara Soares/O Globo — Brasília
