O Congresso Nacional começou o ano legislativo de 2026 voltando atenções para dentro de casa. Na primeira sessão do ano, Câmara e Senado aprovaram projetos que concedem novos benefícios e reajustes a servidores das duas Casas, em medidas que já vêm sendo interpretadas como mais um capítulo na longa lista de vantagens do funcionalismo do Legislativo.
Entre os pontos aprovados está a criação de mecanismos que permitem transformar folgas acumuladas em indenizações financeiras — uma espécie de penduricalho administrativo que, na prática, aumenta a remuneração indireta de servidores ligados à estrutura do Congresso.
As propostas seguem agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e devem gerar debate nas próximas semanas, sobretudo em um cenário em que parlamentares cobram contenção de gastos, defendem responsabilidade fiscal e discutem prioridades nacionais em áreas sensíveis como saúde, educação e infraestrutura.
Para críticos, o movimento reforça a percepção de que Brasília mantém uma lógica própria: enquanto o cidadão comum enfrenta filas e serviços precários, o sistema político-administrativo avança com rapidez quando o assunto é reorganizar benefícios internos.
Defensores das medidas argumentam que se trata de ajustes necessários na gestão de pessoal e compensações funcionais. Ainda assim, o fato de o Congresso inaugurar o ano com decisões voltadas aos próprios servidores expõe, mais uma vez, a distância entre as urgências da população e a pauta que costuma andar com mais velocidade nos corredores do poder.
