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terça-feira, abril 28, 2026

Dourados pode ganhar mais uma toga no TJ/MS, agora pelo Quinto Constitucional

Processo de escolha de desembargador pelo Quinto Constitucional destaca força histórica de Dourados na formação do Judiciário estadual

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Valfrido Silva

Dourados nunca foi apenas um polo eleitoral. Ao longo das últimas décadas, consolidou-se também como um celeiro silencioso de quadros para o Judiciário sul-mato-grossense. Uma espécie de força discreta, mas constante, que, entre uma eleição e outra, vai ocupando espaços onde o voto não chega, mas o poder permanece.

Não é de hoje que, desde a criação de Mato Grosso do Sul, grandes nomes da magistratura forjados na Comarca de Dourados alcançam o topo da carreira no Judiciário estadual. Nomes como Aleixo Paraguassu Neto, Sílvio Aparecido Barbetta e Rêmulo Leteriello, para ficarmos em apenas três, ajudaram a escrever capítulos importantes dessa história, aqui e lá. Além deles, os douradenses da gema, como Eduardo Machado Rocha, Jairo Roberto de Quadros e Sergio Roberto Martins, assim como magistrados que passaram pela comarca mais recentemente, antes de ascender ao Tribunal, casos de Dorival Renato Pavan e Zaloar Murat Martins de Souza, reforçam essa tradição. Gente que aprendeu a lidar com o chão duro do interior antes de subir a rampa, menos visível, porém não menos decisiva, do Judiciário estadual.

Agora, essa história pode ganhar um novo capítulo. O nome do advogado Ewerton Brito começa a circular com força no processo de escolha do novo desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, vaga destinada à Ordem dos Advogados do Brasil pelo chamado Quinto Constitucional. Ex-presidente da 4ª Subseção da OAB em Dourados e Itaporã, professor universitário e mestre em Direito, Brito surge como uma das apostas do interior em um processo que, embora técnico na forma, nunca deixou de ser político na essência.

A corrida foi oficialmente aberta com a publicação do edital no último dia 10 de abril, dando início à formação da lista sêxtupla que será definida pelo Conselho Seccional da OAB-MS, em votação marcada para o dia 29 de maio. A partir daí, o rito é conhecido: o Tribunal de Justiça reduz os seis nomes a três, e a palavra final, como manda a liturgia do cargo, fica com o governador Eduardo Riedel.

Até lá, o jogo é de bastidores — e dos mais interessantes. O nome de Ewerton Brito tem sido bem recebido, sobretudo fora da Capital, onde a advocacia enxerga, não sem razão, a possibilidade de resgatar um espaço que, ao longo do tempo, acabou concentrado em Campo Grande. Não por acaso, o último representante do interior a chegar ao TJMS pelo Quinto Constitucional foi Luiz Tadeu Barbosa Silva, ainda em 2008, nomeado por André Puccinelli, quando Dourados ainda respirava com mais força dentro da estrutura de poder estadual.

A eventual ascensão de um novo nome oriundo da região não seria apenas uma escolha técnica. Seria um movimento de reposicionamento. Isto porque, o Quinto Constitucional — essa curiosa engrenagem que mistura advocacia, magistratura e política — nunca foi apenas sobre currículos. É também sobre equilíbrio de forças, representação regional e, sobretudo, leitura de cenário.

E Dourados, como já demonstrou mais de uma vez, costuma saber jogar esse jogo. Resta saber se, desta vez, o interior voltará a ocupar seu espaço na mais alta instância do Judiciário estadual ou se continuará assistindo, à distância, a decisões que, embora proferidas em Campo Grande, continuam a ecoar com força por toda a Grande Dourados.

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