17.1 C
Dourados
quinta-feira, maio 21, 2026

Malafaia muda o tom após novas revelações da relação entre Flávio e Vorcaro: ‘Se tiver mais coisa, será difícil apoiar’

Líder evangélico se reaproximou do senador há pouco mais de um mês, após atritos acumulados no início do ano

- Publicidade -

Pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e aliado da família Bolsonaro, Silas Malafaia afirmou que as novas revelações feitas contra Flávio sobre as relações com o banqueiro Daniel Vorcaro podem dificultar o apoio do segmento evangélico na candidatura à Presidência. A declaração do líder evangélico demonstra uma mudança no tom sobre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

— A relação de Flávio com evangélicos esfria, sim, se tiver comprovação de que recebeu dinheiro para mais coisa que o filme. Por enquanto, estamos todos com cautela. Se tiver mais coisa, será difícil apoiar; mas, se não tiver, vamos com Flávio — declarou Malafaia nesta terça-feira.

Nesta terça-feira, Flávio Bolsonaro admitiu outro fato que havia sido omitido dos próprios aliados. Além de pedir dinheiro para Vorcaro para uma cinebiografia de seu pai, o senador confirmou que fez uma visita ao dono do Banco Master após ele ser preso, no fim do ano passado. À época, Vorcaro usava tornozeleira eletrônica e estava impedido de deixar São Paulo. A nova revelação abalou as bancadas do partido no Congresso e fez Malafaia adotar um discurso mais cauteloso.

Desde a divulgação pelo Intercept Brasil das conversas de Flávio com Vorcaro, em que o senador cobra parcelas atrasadas do banqueiro para a produção do filme “Dark horse”, Malafaia tem defendido o aliado. Na semana passada, ele publicou um vídeo afirmando que o parlamentar não recebeu o dinheiro e que o caso trazia “vazamentos seletivos”:

— O Flávio não recebeu nenhuma grana pessoalmente. Foi criado um fundo americano exclusivo para captação de recursos para a produção desse filme. Não teve grana na mão do Flávio. O dinheiro foi direto para um fundo americano — disse.

Além de Malafaia, os últimos acontecimentos geraram desconforto entre outros aliados da família Bolsonaro. O influenciador Paulo Figueiredo, próximo de Eduardo, afirmou publicamente que a oposição enfrenta um problema de “comunicação e política”. Já Eduardo admitiu em uma transmissão ao vivo que o grupo demorou a reagir justamente para evitar contradições.

A ordem agora dentro do PL é reorganizar o discurso e evitar que Flávio fique acuado. O entorno do senador defende ampliar agendas públicas, reforçar viagens pelo país e intensificar encontros com empresários. Ele viaja para São Paulo hoje, onde deve ter encontros com a Faria Lima.

Idas e vindas

A relação de Malafaia com a candidatura de Flávio é marcada por idas e vindas. Desde o ano passado, Malafaia havia demonstrado preferência por uma chapa presidencial formada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, na liderança, e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) na vice. O ex-presidente, no entanto, anunciou o filho na frente como presidenciável, deslocando Tarcísio para disputar a reeleição em São Paulo e prevendo Michelle como candidata ao Senado no Distrito Federal (DF). Depois do anúncio, Malafaia chegou a dizer, no início deste ano, que Flávio “não empolgou a direita”.

Depois do mal-estar, eles voltaram a se encontrar em uma manifestação na Avenida Paulista. A dupla fez as pazes em um almoço antes do ato, em março. No início de maio, o senador fluminense foi a um culto para demonstrar proximidade.

— A relação sempre foi respeitosa, de amizade. É um líder nosso, é uma pessoa que eu ouço bastante. Então, viemos aqui hoje renovar a nossa aliança com Deus, na Santa Ceia que ele promoveu, de muita conscientização. Sai daqui ainda mais forte para continuar a caminhada junto com ele — disse Flávio na saída do culto, quando cumprimentou e posou para fotos com apoiadores.

Luísa Marzullo/O Globo — Brasília

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Últimas Notícias

Últimas Notícias

- Publicidade-