19/01/2012 – 10:01
Como pode alguém que vive reclamando estar mais quebrado que arroz de terceira porque emprestou – e não teve de volta até agora – uma boiada para obrigar companheiros a renunciar aos mandatos eletivos como única forma de sair do xilindró aparecer como novo proprietário de uma das mais cobiçadas áreas de plantio de cana-de-açúcar da Grande Dourados, pagando a bagatela de R$ 8 milhões? Podem ser os mistérios dos retornos das bombas que fazem jorrar dinheiro na política, mas que de tanta porcariada misturada à gasolina deve se transformar em nitroglicerina pura, fazendo explodir projetos há anos consolidados na política local e estadual.
Não bastasse a suspeita que gerou dossiê em análise no Ministério Público Estadual de um dos muitos milagres da era Valdecir – o de uma bomba instalada no Jardim Água Boa com gasolina a preço de banana e a promessa de acabar com o que seria um cartel de empresas distribuidoras e de postos combustíveis, agora, depois da denúncia da Rede Globo mostrando o dispositivo que fila do consumidor pelo menos um litro em cada abastecida, surge a informação de que em Dourados, se a tecnologia não chegou a tal ponto, os consumidores podem estar sendo lesados, há muito mais tempo, por conta de uma mutreta mais ou menos parecida, no bloco medidor das bombas, o que pode explicar, não só os preços baixos como aquela tão discutível diferença de economia de combustível do mesmo veículo de um posto para outro.
Segundo informações obtidas pelo Blog, a turma dos retornos dos combustíveis chega a faturar coisa aí de R$ 5 mil por dia, em cada bomba, graças uma mexidinha básica no tal bloco medidor. Daí a importância de os clientes não abrirem mão, sempre que desconfiarem de estar sendo lesados, do direito de conferir o que está comprando, nos aferidores, obrigatórios e à vista de todos, ao lado das bombas.
O milagre da gasolina a preço de banana começou a se repetir em Caarapó, por coincidência, reduto eleitoral do mesmo tiozinho que investiu os oito milhões na região canavieira lindeira. Como lá o santo e milagreiro canavial não está tão próximo da bomba, como em Dourados, e como uma mangueira mais grossa e mais comprida fez jorrar gasolina num preço mais competitivo ainda, entrou água no negócio, ops! na gasolina barata. As próximas vítimas dessas “promoções” seriam os motoristas de Deodápolis, onde um mecânico craque em adulteração de medidores seria um dos sócios desses “empreendedores”.
Como o milagre douradense da gasolina mais barata do Brasil já está sendo cuidadosamente analisado pelo Ministério Público, devendo o início das investigações coincidir com o estouro daquela do post anterior, que está descendo no sentido Norte-Sul, abrangendo outro setor produtivo, mas com os mesmos personagens, na melhor das hipóteses, pode até sobrar algum candidato nas próximas eleições, em Dourados e quem sabe em Caarapó, mas financiamentos, daqueles gordos, e, gasolina a rodo, nem pensar.
