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quinta-feira, julho 2, 2026

Um mate amargo com Lauro Machado

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15/01/2012 – 18:01

Embora descendente de gaúchos (um avô de Cruz Alta, como colocado no post anterior; outro de Dom Pedrito) nunca fui chegado num chimarrão, mas não tendo como escapar a algumas cuiadas quando servidas por pessoas especiais, como a Dita, minha mãe, naquelas visitinhas antes do almoço para beliscar em suas panelas ou no escritório do advogado Lauro Machado de Souza (foto, com o repórter gadelhudo) onde a prosa era sempre tão envolvente que dificilmente se saia sem que a goela estivesse queimando. Ressuscito este grande amigo, meu parente, um dos profissionais mais brilhantes do Direito e grande promessa da política douradense, desencarnado precocemente, depois do sonho da noite passada, certamente consequência das imagens na TV Morena durante a prisão de seu irmão, o não menos amigo e leitor incondicional do Blog, médico e ex-vereador Luiz Machado, acusado de envolvimento com uma quadrilha que vinha liberando CNHs nas coxas em Mato Grosso do Sul.

Quando a algazarra das saracuras me faz acordar no meio da madrugada é tiro e queda. Pulei da cama imaginando tratar-se de alguma reviravolta na Uragano, já que havia recebido uma ligação do Valdecir, ainda na estrada, no retorno do Sul, com a promessa de novidades. Com a fita do sonho rebobinando, aparece-me a radialista Bete Balanço toda esbaforida, interrompendo minha leitura das últimas páginas do livro do Boni (uma merda! como ele mesmo costumava qualificar roteiros ou produções que não lhe agradassem) para dizer que seu pai, Jorge Antônio Salomão, aguardava-me num estúdio especial na cobertura do edifício “Sobre as Ondas” destinada a um conhecido parlamentar que desistira da compra depois de denúncias dos famigerados retornos. Lá chegando, deparo-me com o velho Salomão tentando se desvencilhar de uma das muitas maçarocas de Orlando Mazarelli na fiação da Rádio Clube de Dourados para estabelecer contato com Lauro Machado que, lá de cima, insistia em descobrir como postar um comentário no blog, justamente para protestar contra a prisão do irmão. Depois de um saudoso abraço, com um Shure PGX sem fio, um de seus microfones preferidos, já lincado com Lauro, Jorge Antônio põe no ar uma edição especial do “Falando Sério” para destrinchar a intrincada operação policial. Criminalista dos mais respeitados, Lauro está inconformado com a prisão “por um motivo tão banal” e já pensando num HC junto ao Tribunal de Justiça, com base no “princípio da insignificância”, uma jurisprudência do próprio TJ/MS que recentemente não considerou motivo de condenação o furto de uma bicicleta. Espumando de raiva, Lauro questionava o “segredo de justiça” da operação, com o DETRAN fazendo um estardalhaço, sem dar nome aos bois, ou seja, não explicando quem é quem nessa história, mas submetendo apenas o irmão à execração pública, ao liberar imagens dele preso no canal de TV de maior audiência.

Jorge Antônio, retomando a boa forma dos velhos tempos de A Bronca interrompe o raciocínio do entrevistado para dar seus pitacos. Ele insinua que é tudo jogo de cena para encobrir patifarias maiores do submundo da política, com certeza para proteger gente mais poderosa. E, com a veemência radiofônica que fez este, ora vejam só, gaúcho de Porto Alegre, virar prefeito de Dourados, dando seu veredito: “O Cuequinha (Luiz Machado) é só mais um boi de piranha, podem esperar que essa coisa ainda vai feder muito mais”.

Quando chega minha vez de falar com Lauro, aproveitando para saber notícias de Harrison de Figueiredo, outro que deve estar indignado e sem entender principalmente o fato de um “totosista” de quatro costados como o coronel Francisco Libório estar do outro lado dessa encrenca, e tão convicto em suas declarações à mesma TV Morena quanto à assertiva do flagrante da operação “Sinal Vermelho” o link cai, mas dando tempo de captar sua estupefação com o fato da turma dos retornos continuar nadando de braçada e a mesma polícia se fingindo de morta. Sem retorno, Jorge Antônio encerra a edição extra do “Falando Sério”, não sem antes mandar seu abraço apertado para seus compadres e comadres.

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