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A que ponto chegamos!

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08/12/2011 – 17:12

 

Como jamais imaginei que uma bazófia deste blog quanto à necessidade da construção no Mato Grosso do Sul de um presídio exclusivo para políticos corruptos fosse um dia ser vista como prioridade pelo Ministério Público Federal, antes mesmo de ler o texto que rendeu a inusitada manchete desta quinta-feira, no Correio do Estado, meu cérebro foi invadido por um turbilhão de questionamentos, considerando-se, agora a concretude da ideia. Como seria este novo tipo de estabelecimento penal? O Presídio do Colarinho Branco – se não for este o nome certamente é assim que será alcunhado – terá instalações especiais para os internos detentores da famigerada imunidade parlamentar? Uma vez trancafiados, esses parlamentares ou mesmo os chefes de poderes executivos continuarão gozando dos benefícios dos cargos, mordomias como assessores, motoristas, polpudos salários, verbas de representação, diárias etc. e tal? Sem contar os retornos, evidentemente! Celas ou gabinetes? Eis a questão a desafiar a arquitetura penal que beneficiará a cada vez mais crescente legião de corruptos! Lá de dentro, continuarão na plenitude dos mandatos? Neste caso, haveria a necessidade também de amplo espaço para salas de reuniões, ah, e para o plenário! Um plenário ou dois? Como a transitoriedade e a alta rotatividade devem ser a marca do presídio, já que estamos tratando de figuras com seus foros pra lá de privilegiados, o regimento interno (e põe interno nisso!) poderia seguir o modelo congressual brasileiro, o bicameral, com deputados e senadores se reunindo apenas nas sessões conjuntas. Ufa! Pelo menos uma economia!

Mas o negócio é sério, informa o jornal de Antônio João Hugo Rodrigues – o Ministério Público Federal ajuizou ontem uma ação civil pública perante a Justiça Federal requerendo a construção, pela União, de um presídio federal para corruptos no Estado. Para o MPF, ora, vejam só, “é necessário que o Poder Judiciário de uma resposta mais concreta à população, que tem demonstrado sua insatisfação com os sucessivos episódios de desvio de dinheiro público”.

A ação foi proposta a propósito da celebração do Dia Internacional de Combate à Corrupção (nesta sexta-feira) e é também uma contrapartida às mobilizações sociais realizadas em todo o País.

O procurador da República Ramiro Rockenbach disse ao CE que “a medida pretende por fim a uma omissão de décadas e, principalmente, dar uma resposta concreta aos anseios de brasileiros e brasileiras (o grifo é do blog; vocês se lembram de quem é o bordão?) que clamam nas ruas por mudanças no atual quadro de lamentáveis episódios de corrupção”.

Tudo bem que não se deve misturar os bandidos do colarinho branco com os Beira-Mar da vida, um exagero, como fizeram com o pobre do Valdecir. Agora, olhando o lado prático da coisa e, diante da famosa morosidade do judiciário, com seus intermináveis recursos protelatórios e chicanas, que se siga como exemplo o próprio Valdecir. Bastaram alguns dias como vizinho de Beira-Mar e João Arcanjo Ribeiro e veio uma vontade indômita de renunciar ao cargo de prefeito da segunda maior cidade do Estado.

Quem sabe jogando toda essa cambada num destes presídios federais, ou que seja num como o Harry Amorim Costa, também palco de renúncias sumárias, não acontece uma chuva de cartas renúncias, operando-se, oxalá, o milagre do começo do fim da corrupção. Ou alguém duvida que se insistirem na construção desta que merece ser uma obra majestosa, dado o tipo de demanda, algum gaiato não vai levar o seu? 

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