19.5 C
Dourados
quinta-feira, julho 2, 2026

Bens da Campina Verde na mira da Justiça

- Publicidade -

21/11/2011 – 08:11

Foto: Anita Tetslaff

Na campina verde da Vila Vargas, a luxuosa sede da J. Teixeira Cereais. 

Quase cinco anos depois de desbaratada uma das maiores quadrilhas de sonegação fiscal do Mato Grosso do Sul, só agora a Justiça Estadual determinou que o Ministério Público liste os bens a serem bloqueados dos proprietários da Campina Verde Armazéns Gerais de Dourados – os irmãos Aurélio e Fernando Rocha, de seus contadores e dos ex-superintendentes de Administração Tributária do Estado na gestão do ex-governador Zeca do PT, entre eles o hoje deputado estadual e pré-candidato a prefeito de Corumbá, Paulo Duarte. A ação foi distribuída dia 17 de outubro último e nela o MPE responsabiliza a todos pelos prejuízos, pedindo a devolução de cerca de R$ 124 milhões.

Se para pedir a listagem dos bens dos envolvidos a justiça demorou cinco anos, contrapondo-se a esta lentidão a ligeireza e o know-how dos irmãos Rochas não apenas em operar para sonegar, no mercado de grãos, como para fazer evadir divisas mundo afora e, pior, afrontando o Estado e a Justiça com a continuidade de suas operações por meio de laranjas, alguém acredita que o Estado vai ter esta grana de volta?

Como já escrevi aqui, são fortes as evidências de que a Campina Verde, dos Rocha e a “J. Teixeira Cereais”, de familiares do deputado Zé Teixeira são, na prática, a mesma coisa, ou seja, uma sucedânea da outra, mudando apenas o endereço e a fachada de um dos Armazéns, às margens da BR-163, já que os operadores de mercado continuam os mesmos, no mesmo lugar, na antiga sede da Campina Verde, na Cabeceira Alegre.

Os irmãos Rocha, relembrando, notabilizaram-se pela meteórica ascensão no mundo dos negócios de cereais a partir da primeira metade da década de 90, beneficiando-se do mais lesivo dos regimes fiscais já implantados no MS, o “especial”, cuja elasticidade de prazo para pagamento de tributos facilitava negociatas que fizeram grandes fortunas, não só entre corretores e cerealistas como de agentes corruptos em vários níveis do governo. O negócio era tão lucrativo que a roubalheira, ou o “chucho”, como era conhecida a transação, começou entre corretores e funcionários de terceiro escalão da Secretaria de Fazenda, depois atraindo a participação do primeiro escalão, aí incluídos secretários, governador e até senadores aliados. Até que a Polícia Federal acabou com a farra, prendendo os chefões da quadrilha em janeiro de 2006.

Quando o governador André Puccinelli assumiu prometendo acabar com a mamata do “regime especial” da Campina Verde, Aurélio e, especialmente, Fernandão, já estavam milionários, ficando tudo como dantes no quartel de Abrantes e, mesmo depois dos dias que passaram no xilindró, continuaram operando, não só na Bolsa, como, decisivamente, no mercado da política.

Pelo ritmo da Justiça e do MP, bem provável que o Estado consiga penhorar pelo menos um dos bens mais caros aos Rocha – a velha casa de tábuas da família, num terreno de esquina, na Vila Maxwell. Por sorte dos contribuintes, afinal, os grandes lesados nessa história, com chegada do Shopping os terrenos naquela região ficaram supervalorizados. 

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Últimas Notícias

Últimas Notícias

- Publicidade-