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Geraldo Resende se torna réu confesso, na Justiça Federal, ao insistir na censura ao Blog

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13/11/2011 – 11:11

Foto: Anita Tetslaff

Forçando a condição de cacique, Geraldo pressiona André para atropelar Murilo.

Eleito prefeito de Campo Grande, em 1996, dois anos depois André Puccinelli já costurava sua reeleição, com a ideia fixa no Parque dos Poderes. Para isso, desde logo, era preciso começar a remover as pedras em seu caminho. Mas naquele 1998, na periferia da capital, sua preocupação era com um prego enferrujado de um resto de construção petista de Amambai, que por um descuido histórico foi parar na Assembleia Legislativa. O único candidato em condições de impedir o retorno de Prego era o vereador Geraldo Resende, em sua primeira tentativa de virar estadual. Sabendo de minha amizade com Geraldo, André pediu a um assessor que me ligasse para levá-lo até ele. Detalhe, Geraldo era do PPS e, como tal, pedindo votos no palanque de Zeca do PT, adversário de André, cujo candidato ao governo era Ricardo Bacha.

Geraldo ficou tão emocionado com a proposta, diante do que se afigurava como chance concreta de virar deputado que tive de guiar seu Honda Civic prata, hidramático, acho que o primeiro carro de luxo por ele adquirido com dinheiro da política. Fomos diretos para a casa do prefeito. Pragmático, pesquisa à mão, André apontou o caminho das pedras – os redutos eleitorais de Prego que poderiam ser minados por Geraldo, sem nada exigir em troca – “até porque, até onde sei, você não é de honrar compromissos” – em caso de vitória de Bacha. Levantando-se, foi até uma sala ao lado, de onde voltou com uma pacoteira, “uma pequena ajuda do Dr. André, colega médico”, e um papelzinho com o nome de Marco Aurélio Santulo, federal com quem Geraldo deveria dobrar nas regiões apontadas pela pesquisa. No endereço do candidato, tido como do Planalto, Geraldo pegou três cheques pré-datados para comprar os votos necessários à sua primeira eleição e ainda sobrando uns trocos para a festa da vitória.  

Passada a eleição, precisando agendar uma conversa com André, liguei para o aí já deputado eleito Geraldo Resende, pedindo o telefone da secretária do prefeito: “Não tenho e se um dia tive já esqueci”. Não fazia nem quinze dias que havia sido eleito, com providencial empurrão de André, tanto que foi o penúltimo colocado, mas já voltando a se comportar como companheiro de Zeca do PT, de quem virou secretário de saúde, mas que por ele seria traído no segundo turno da eleição seguinte, quando Geraldo, num dos muitos equívocos de sua carreira, bandeou-se para o lado de Marisa Serrano.

Trago esta história a público para que os milhares de leitores deste blog e, principalmente, os eleitores de Dourados, não fiquem boiando diante da saraivada de críticas a Geraldo Resende, depois de sua opção pelo caminho sem retorno da corrupção, o que o levou a processar aquele que sempre o teve como amigo.

Amigos, amigos; negócios à parte, já que Geraldo Resende resolveu fazer dos mandatos parlamentares uma agência de grandes e rentáveis negócios, e negociatas! E o meu negócio, no jornalismo, é denunciar falcatruas, a rapinagem do dinheiro público, com o que não concorda o deputado para quem imprensa boa é a imprensa subordinada, aquela que só publica, de preferência de graça, os releases com os seus feitos. Até porque Geraldo Resende não tem amigos. E quando digo que o meu negócio “no jornalismo” é denunciar é porque atuei como assessor em órgãos públicos e em algumas campanhas políticas, inclusive do próprio Geraldo. Neste caso – amigo não é para essas coisas? – sempre ajudando, sendo que a única vez que pagou pelos meus serviços, assim mesmo uma mixaria, pois me pegou num momento de altíssima vulnerabilidade financeira, foi com dinheiro da Câmara dos Deputados. Corrupção explícita, o que vou provar nos tribunais.

Sexta-feira passada, não nos botecos como ao longo de quarenta anos de convivência, mas num incômodo, constrangedor e paradoxal encontro durante uma audiência de conciliação no processo que o agora todo poderoso Dr. Pereira move contra o amigo jornalista, na Justiça Federal, a decepção maior: a tentativa de Geraldo Resende de ressuscitar a velha e famigerada censura à imprensa, a mesma censura que deve ter despertado seu tão decantado idealismo, quando ainda nos enveredávamos na arte da escrita, manuseando componedores na velha Folha de Dourados.

Para “morrer” o processo contra o Blog o Dr. Pereira propôs a retirada de todos os textos até aqui publicados com críticas à sua excelentíssima figura e, pior, que cessem os termos por ele entendidos como pejorativos, por exemplo, os que o ligam aos já famosos retornos. Quer dizer, de autor da ação, passou à de réu confesso. E tudo isso diante de um juiz federal, sem o menor constrangimento. Ah, e tem mais! Com sua muquiranice oceânica ainda quer que o ex-amigo pague as custas processuais.

Claro que jamais aceitaria proposta tão indecente, restando-me lamentar que o idealismo de Geraldo Resende tenha ficado confinado nos escaninhos dos cavaletes que guardavam os tipos móveis da Folha de Dourados no momento em que trocou o jaleco de tipógrafo pelo de médico, profissão que abandonou quando começou a crescer o olho nos retornos da política.

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