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Dona Délia querida, como vice-prefeita

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11/11/2011 – 08:11

Foto/Assecom 

Começa assim, com um biscoitinho, depois um afago em público, os teretetês de pé-de-orelha, até a batida do martelo.

O forte dela sempre foi o trabalho social na periferia. Como vereadora e nos poucos dias como prefeita interina, no pós-furacão, preferiu a via dos Conselhos, uma forma de prestigiar os representantes dos diversos segmentos da sociedade para priorizar as políticas públicas. Arrebentando nas pesquisas de intenção de votos como candidata a reeleição e desde já ponteando as preferências como candidata à deputada estadual, está ali, também embolada nas primeiras posições com os pré-candidatos a prefeito. Talvez por isso tenha despertado atenção a referência, e a deferência, de Murilo Zauith ao cumprimentá-la quando da visita do governador André Puccinelli sexta-feira passada à Dourados, chamando-a de “minha querida vereadora Délia Razuk”, isso, depois de tantas escaramuças entre as duas poderosas famílias.

Muito mais que um ato falho ou uma simples mesura do sempre gentleman Murilo Zauith o “querida Délia” soou aos ouvidos dos mais atentos como um afago, ou uma senha, tudo estratégica e friamente calculado, com vistas ao que pode ser a composição de uma chapa imbatível para as próximas eleições, pelo fato de ser a esposa do ex-deputado Roberto Razuk do PMDB de André Puccinelli, aliado de primeira hora de Zauith e grande avalista do processo eleitoral. PMDB que, por enquanto, é o único refratário entre os considerados de oposição a Zauith, mesmo assim por insistência de uns poucos com interesses escancaradamente declarados no cacife para as eleições de 2014, o que o prefeito deve tirar de letra, depois da maestria na negociação que imobilizou o PT, este, sim, o grande adversário.

Ao conjugar o verbo no particípio, Murilo Zauith mata dois coelhos com um paulada só, já que assim, por sua forma infinita, o querer, aí substantivo, passa a ter o sentido de adjetivo, com o qual, subliminarmente, abre uma janela para colocar as qualidades, o caráter e o modo de ser de sua pretendente como companheira de chapa.

Interessante observar que como verbo o querer significa ambicionar, cobiçar, com mestre Aurélio, neste caso, e muito a propósito do querer de alguns peemedebistas sem votos, exemplificando que “os insurretos queriam o poder”. Não menos interessante que no mesmo Aurélio, ironicamente, neste jogo de palavras, no item seguinte, quando o querer designa “ser de opinião; julgar, acreditar”, a frase dada como exemplo lembra que “o doido quer que a realidade seja o que ele concebe como tal”. Seria o caso de dizer agora, depois da Uragano, quando Zauith precisa se contorcer para costurar alianças, que “o doido queria”. Ou que já era, o que facilita as coisas.

Na parte que toca à vereadora Délia Razuk, se bem conheço seu guru, Roberto, deve estar se apegando a um item logo adiante, ainda nos exemplos de designação do mesmo querer, entendendo o aceno do prefeito necessitado da reeleição como uma condescendência, em dispor-se a uma negociação: “Se quiseres pôr de lado o orgulho, podemo-nos entender”. Parece que estou vendo Roberto Razuk repetindo Aurélio Buarque de Holanda para Murilo Zauith.

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