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PMDB capenga por falta de espaço e de liderança

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31/10/2011 – 16:10

Foto: Anita Tetslaff

André e Murilo, entre Leite Gonçalves, Dr. Pereira e Délia Razuk, os três postulantes peemedebistas à prefeitura.

Ninguém aguenta mais a cantilena, de descomunal incoerência, de alguns peemedebistas, quanto à imperiosa necessidade de um candidato majoritário em 2012. Ora, o partido tinha tudo para eleger o prefeito em 2008, mas, preconceituosamente, rejeitando e até debochando de seu potencial candidato. Tudo bem que se tratava de Ari Valdecir Artuzi, mas ninguém tinha bola de cristal. Aliás, se a questão fosse de brios ideológicos, Kelyana Fernandes não teria saído do partido de seu queridinho Leite Gonçalves para se aventurar por outra legenda. E, o pior de tudo – quem mais insiste nessa história, no caso o federal Dr. Pereira, nem tem tanta autoridade assim para falar em nome do PMDB, pois além da falta de firmeza nos propósitos partidários não tem densidade eleitoral para tanto.

Leite Gonçalves, este sim, além de votos, sempre teve a simpatia de André Puccinelli, em cuja garupa chegou a Brasília para assumir pela primeira vez a cadeira de deputado federal, passando rapidamente da condição de coadjuvante à de fenômeno da política douradense, elegendo-se, na sequência, aí, sim, deputado, pelos próprios méritos, numa campanha em que foi um dos grandes protagonistas, por toda entourage que fazia questão de se cercar nos palanques. Era, então, Marçal Filho.Um verdadeiro pop star. E onde estava, naquela virada de século o agora colega de parlamento que com ele se engalfinha pela vaga de candidato a prefeito do PMDB? Estava no palanque de Zeca do PT, como candidato a estadual pelo PPS. Do PMDB Dr. Pereira queria apenas a grana para a reta final de campanha, só conseguindo chegar lá graças ao providencial empurrãozinho de um amigo jornalista que sabia o endereço do cofre.

Antes desses dois postulantes o PMDB chegou à prefeitura com Braz Melo e “adios Lourenço Flores”, como gosta de dizer o ex-prefeito trabalhista João Totó Câmara, depois da divisão do Estado a referência mais perene entre as lideranças do partido do Dr. Ulysses na terra de seu Marcelino.

Sucedâneo do velho “manda brasa” (MDB), com a redemocratização do Brasil o PMDB serviu de guarda-chuva para todos quantos no período ditatorial se opunham à ARENA, mas a perdendo espaços a partir do nascimento de novas siglas, como PT e PSDB, principalmente. Laerte Tetila e Murilo Zauith, por exemplo. Ambos começaram peemedebistas; Tetila com mais arraigadas convicções socialistas aderindo desde logo ao PT, com Zauith, depois de uma passagem pela social democracia tucana e de uma guinada à direita “demo-crática” só agora descobrindo que a cartilha de Miguel Arraes era a que sempre teve as melhores lições para o Brasil do futuro.

Como se vê, depois das escaramuças que antes do período “revolucionário” marcariam a forte rivalidade entre UDN e PTB, com o PSD de Filinto Muller como fiel da balança, partido é o que menos importa quando o objetivo é a cadeira mais confortável do prédio principal da coronel Ponciano. Tanto que José Elias Moreira e João Totó Câmara foram os protagonistas do último embate com resquícios dessas legendas, mesmo assim, já abrigados na ARENA. Nas eleições seguintes, valendo mais o ajuntamento decorrente da fragmentação partidária e o poderio econômico do que a ideologia. Foi assim a partir da eleição do mesmo José Elias Moreira, que fez sucessor o “arenista” Luiz Antonio e com o peemedebista Braz Melo, que preferiu entregar a cadeira a um adversário, Humberto Teixeira, de um partido inexpressivo, para voltar depois e, de novo, devolvê-la a outro adversário, Laerte Tetila.

O fim da era Braz Melo levou de roldão o PMDB, com Murilo Zauith herdando o grosso desse espólio político, tendo como rival, em condições de desbancá-lo, apenas o PT, por coincidência, hoje, seu principal aliado.

Com tudo isso o PMDB ainda tem projeto para Dourados, como gosta de alardear o dr. Pereira? Ninguém duvida. Só que além de não ter um nome que aglutine as três correntes, ficou sem espaço. Tanto que consciente dessa dificuldade o próprio dr. Pereira tentou trocar de lado, de novo, só não indo para o recém-criado PSD porque o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, não lhe deu bola.

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