25/10/2011 – 10:10
No início deste mês, quando o ex-governador Zeca do PT esteve em Dourados para o pré-lançamento da candidatura do médico deputado George Takimoto à sucessão do prefeito Murilo Zauith, na casa do ex-prefeito José Elias Moreira, quem deu as caras por lá foi o ex-vereador João de Souza Leão. Cabeça branca, burro na sombra, mas com um brilho todo especial nos olhos diante da possibilidade de voltar a representar Vila Vargas na Câmara Municipal de Dourados depois que Sidlei Alves – a grande promessa política do distrito – foi abatido pelo furacão (uragano) em pleno voo rumo à Assembleia Legislativa.
O limpa da operação policial desencadeada com o propósito de pôr fim à roubalheira e que colocou meio mundo na cadeia mexeu tanto com os brios dos políticos douradenses que está acontecendo um (salutar) retorno aos recônditos do legislativo, com o reaparecimento de nomes até então fadados apenas às plaquetinhas de identificação de ruas e outros logradouros públicos, coisa, aliás, a que se prestam muito bem suas excelências, os nobres edis. Uns, porque já morreram e como tal são homenageados; outros que morreram politicamente e que vêem agora uma chance de reescreverem o nome do livro da história. Uns, ainda vivos, tentando de novo a própria sorte ou como cabos eleitorais dos herdeiros, trabalhando ostensivamente, aqui na terra; aos outros restando a torcida ou as bênçãos pelos seus, do andar de cima.
O mais privilegiado deles é o campeão das paródias, Maurício Lemes Soares (foto, acima). Não bastasse seu talento para adaptar composições de sucesso à realidade da política local, pegando para cristo (na net) políticos atrapalhados como o Valdecir, Maurício Ferrinho conta com as “tratoradas” do pai, Archimedes e a bênção do desencarnado avô, Renato, ambos com passagem pela presidência da Câmara. Mais, a providencial ajuda do sogrão, Beto Martins, à frente da secretaria de Serviços Urbanos, sempre uma mão na roda nestas ocasiões.
Interessante é a coincidência de outros prováveis retornos cuja bênção paternal celestial se soma à experiência da passagem também pela presidência do Legislativo. Como depois da tempestade (no caso, do furacão) sempre vem a bonança, só pode ser coisa de Deus, mesmo, num momento de tantas tribulações e de provas às quais precisa se submeter a classe política da terra de seu Marcelino. Além das coincidências, ironias, como a que pode marcar o retorno, pelo PSDB, do herdeiro de um dos mais legítimos representantes do PSD de Filinto Muller, Moacir Barreto de Souza. Seu filho, Moacir Capilé Barreto de Souza, o Tiziu (foto à esquerda), é pré-candidato. Além da bênção e da luz do popularíssimo “Lamparina” ele tem também um sogrão por trás, que se não tem uma máquina azeitada de fazer política como a do sogro do concorrente Maurício Ferrinho se impõe pelo papel histórico desses tempos bicudos – o juiz Eduardo Machado Rocha, justamente o encarregado de não ter deixado a peteca cair no momento mais agudo da crise política decorrente da mesma Uragano, como substituindo imediato do prefeito preso até que se restabelecesse a normalidade política e administrativa.
Acabou? Que nada! Roberto Djalma Barros, pai do uragano Marcelo Barros, é outro que está com a campanha na rua. Ele, que herdou a cadeira do pai, o velho Moacir Marcha Lenta, também presidente da Câmara, e que esteve deputado por um mandato, agora quer voltar ao Jaguaribe num desagravo ao filho que julga injustiçado.
Não disse que o retorno era aos recônditos? Pois bem. Mais um pré-candidato, tentando herdar o espólio político ainda fresquinho do primo de José Carlos Cimatti, Rozemar de Matos, é filho do também ex-presidente da Câmara Cider Cersósimo de Souza.
Até o ex-vereador Daniel Vieira Nóia, do alto de seus oitenta e dois janeiros está se animando com esta história de retorno, à Câmara, evidentemente.. A exemplo dele, outros que estiveram vereador mais recentemente, como o médico Domingos Alves da Silva e Jorge Dauzacker, o “Jorginho do Jegue”, assessor para assuntos aleatórios do Valdecir que, só mesmo pelas evocações da mãe, dona Preta, ao “sobrenatural”, escapou do furacão antes mesmo do ponto final, ou, ow-ari!
Detalhe fundamental. Esses nomes avaliam a possibilidade de retorno, mas retorno na acepção da palavra, já que o outro significado dela, o moderno, que provocou todo essa lambança e que ameaça ainda políticos com mandatos em outros níveis, este, eles não conhecem. Pelo menos a maioria.
