19/10/2011 – 10:10
“Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa”. Presidente Getúlio Vargas, em sua carta testamento.
“Forças terríveis levantam-se contra mim, e me intrigam ou infamam, até com a desculpa da colaboração”. Presidente Jânio Quadros, em sua carta renúncia.
Em busca de algum vestígio do Marco de Cimento, antes da “Mão do Braz” o único referencial do que sobrou da Colônia Agrícola Nacional de Dourados (CAND), acabei num atoleiro nas imediações da Vila Santa Hermínia, o que despertou minha atenção para os graves problemas de infraestrutura de toda aquela região, uma das mais pobres da cidade, não por acaso onde fica também o Jardim Pantanal. Daí para a descoberta do porquê de tanto abandono foi um pulo, de onde cheguei à conclusão de que só mesmo a ação das tais forças ocultas para permitir este estado de coisas.
Claro que seria exagero se estabelecer um paralelo entre as picuinhas que atravancam o desenvolvimento de Dourados com as mesmas forças ocultas que levaram um presidente da república ao suicídio e o outro à renúncia, mas ficando o alerta ao prefeito Murilo Zauith (foto), até porque em termos de tragédia chegam os estragos da Owari e da Uragano, cujos custos, altíssimos, Dourados vai demorar muito tempo para pagar.
Uso como gancho uma frase que, a bem da verdade, nem foi literalmente colocada nos dois documentos que mudariam a história do Brasil não apenas pela estreita ligação de seus protagonistas com o Mato Grosso do Sul, por ser Jânio Quadros daqui ou porque Getúlio Vargas escolheu Dourados como o embrião de seu audacioso projeto de reforma agrária, mas principalmente pelo desrespeito à memória de um dos nordestinos que, no vácuo da onda da terra prometida, acabou se incorporando à história, pelo tanto agregou de valores, principalmente à sua cultura – o repentista e fundador da primeira banda de música da cidade, Manoel Lourenço Gonçalves.
Manoel Lourenço, em companhia do getulista Harrison de Figueiredo e do secretário da CAND Faé Bianchi, teria tudo para receber com uma trova especial o prefeito de Campo Grande e ministro trabalhista Wilson Fadul, que deve estar chegando hoje ao andar de cima, não fosse a pendenga que se arrasta há anos entre seu espólio e a prefeitura de Dourados, por culpa das mesmas forças ocultas que forçaram Getúlio a bater mais cedo às portas de São Pedro. Sim, porque nada justifica tanta inoperância jurídica para a solução do problema que não é apenas de seus herdeiros, mas de todo o Santa Hermínia e lamaçais adjacentes. As mesmas forças ocultas que impedem a conclusão de obras como o Centro de Convenções ou o jatinho do Jornal Nacional de pousar no aeroporto Francisco de Matos Pereira.
