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quinta-feira, julho 2, 2026

Hora de cair na real

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17/10/2011 – 18:10

Toda vez que ouço ou vejo a empolgação de algum novato na política, principalmente desses mais afoitos que vão logo metendo os peitos numa disputa majoritária, não tem como não relembrar o antológico diálogo que marcou o fim de uma das mais duradouras relações da política dos dois Mato Grossos, quando Pedro Pedrossian quis saber se o mais fiel de seus discípulos, Zé Elias Moreira, tinha pelo menos caminhão de som para sua segunda tentativa de voltar à prefeitura. Mesmo tendo passado à história como o melhor prefeito de Dourados, depois de aqui perder a eleição para o governo do Estado, Zé Elias deu com os burros n’água nas duas outras tentativas, contra Braz Melo, primeiro como deputado Constituinte, em 1988, e depois de encerrado o mandato subsequente, ainda como federal, em 1996. E tudo por falta de um “caminhãozinho de som”.

Outro dia, proseando com o tucano Mauro César (na foto com o profeta Márcio Ricardo e o guru Cesar Luti), por coincidência num dos postos de gasolina de um pupilo (Sadi Martins, pré-candidato a vereador) do mesmo Zé Elias, eis que chega um desses “eternos” candidatos a vereador vendendo convite para um churrasco beneficente. Conversa vai, conversa vem, o dito cujo, ao saber que Mauro era do PSDB, aproveitou para uma facada daquelas típicas do auge de toda campanha. “Seu partido é grande, então você vai me ajudar a pagar o aluguel da Igreja para o dia do churrasco”. Mauro, um sujeito simples, que já havia “morrido” em dois convites, começou a gaguejar e quase tendo uma sapituca quando ouviu o preço da fatura: “só milão”, em troca de ter “só o nome dele” anunciado lá no alto-falante da festa. Não quis presenciar o que poderia se configurar como o primeiro crime eleitoral de uma campanha que está longe de começar, subindo para um cafezinho com o comandante Silveira, que, como irmão mais velho e “caixa” da campanha de Sadi também já se prepara psicologicamente para este tipo de situação.

E aí – também não tem como não repetir meu sogro – é que surge o problema. Acrescente-se, agora, ao seu bordão, que, como cearense dos mais arretados, o “véio Mané” já vai adiantando que depois ouvir no boteco do Nezão uma frase esquisita de um tal Ruy Barbosa, falando que de tanto crescer “isso aquilo outro” ele também está com vergonha e cansado de ser honesto e que só vota em quem lhe pagar.

Custo da brincadeira? Uma eleição para prefeitura de Dourados não deve ficar menos de seis/sete milhões de reais. Quer dizer, pra quem não é fenômeno eleitoral como o Valdecir, não basta apenas um caminhãozinho de som muito menos o discurso demagógico do menino pobre que sonha ser prefeito. Tem que meter a mão no bolso. Entrou na chuva, é pra se molhar. E sem retorno!

Para os experts no negócio, tirante o marqueteiro, cujos valores dependem do currículo do camarada, de cara, o candidato precisa ter aí coisa de um milhão de reais para começar com uma boa imagem, para os custos da agência de publicidade que vai dar uma garibada no bicho e conceituar a campanha, com produção gráfica (para os famigerados santinhos), de rádio e TV. Pior, no caso de Dourados, um dinheiro jogado fora com TV, já que o eleitor não tem direito de ver seus candidatos na audiência da repetidora da Globo, ficando escondidos na TV do reverendo RR Soares.

E isto é só o começo. Um cabo eleitoral, desses que ficam encostados no pau da bandeira pelas ruas custa em média um salário mínimo. Aí vêm as “lideranças”, a maioria donos de partidos nanicos que aproveitam pra tirar o pé do lodo no leilão eleitoral e, claro, os candidatos a vereador. Custo per capita destes, digamos, “sargentos” eleitorais? Para aqueles com potencial de mais de 500 votos, cenzinho! Isso mesmo: cem mil reais. São mais de duzentos deles. Vai pondo na ponta do lápis.

Moral da história, ou custo final, por eleitor – R$ 100,00, aí contabilizada a indefectível boca de urna – aquela grana para a chegada, principalmente quando o negócio tá pau-a-pau, que já desbancou muita gente que insiste em não se curvar à tradição de eleitores como, por exemplo, os do bairro Cachoeirinha, que se organizam em grandes rodas de tereré, títulos à mão, nas noites anteriores aos pleitos. Quem dá mais?

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