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Coisas de Horácio Cersósimo

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07/10/2011 – 11:10

Sérgio Brochado, o blogueiro, Totó Câmara, Horácio Cersósimo e o filho Lucas, no lançamento de “Sonhos e Pesadelos”, em Campo Grande, há 3 anos.

Juro que não lembro qual das muitas encrencas em que me envolvi, no final da década de 1970, para motivar tamanha preocupação de um amigo tão querido e tão poderoso. Apenas, como trabalhava no jornal cuja linha editorial era influenciada pelas tiradas de Zé Pinga (“In vino véritas”), que, um dia, ao chegar em casa, lá pelas tantas da madrugada, dirigindo o fusquinha da reportagem meio em ziguezague, percebi que estava sendo seguido. Ao parar para abrir o portão, o motorista do veículo que vinha atrás abaixou o vidro. Era um policial civil, em companhia de outro colega. Tranquilizou-me, desejando bom sono, depois de informar que estava cuidando de mim a pedido do deputado Horácio Cersósimo.

Passados alguns meses, depois de me entreverar com o professor Celso Amaral, que meteu o bedelho para impedir uma sequência de reportagens com críticas a Pedro Pedrossian, já na iminência da divisão do Estado, pedi demissão do jornal do seu (Vlademiro) Amaral. Recém-casado e desempregado! Num domingo à noite, Horácio Cersósimo bate à minha porta, convidando-me para acompanhá-lo na semana seguinte em seus trabalhos na Assembleia Legislativa. “Não está fazendo nada mesmo vamos passear um pouco em Cuiabá”. Na terça-feira, depois de uns bifes acebolados no capricho, de Lurdinha, e de duas cervejas dessas da porta da geladeira, levou-me até o Centro Político Administrativo, construído por José Fragelli, onde ficava o gabinete do governador Garcia Neto. Conversa vai conversa vem, disse ao governador: “esse é o rapaz de quem lhe falei”. Garcia me encaminhou na hora ao chefe da Casa Civil, Archimedes Pereira Lima, que me esperava com um ato de nomeação já assinado pelo governador, para representar o SEDIMAT (Serviço de Divulgação do Mato Grosso) em Dourados.

Ontem à tarde tentava agendar algumas entrevistas em Cuiabá, para um material especial sobre esses 34 anos da divisão do Estado. Pretendia sair daqui no sábado de manhã, já havia acertado tudo com meu filho mais velho, que mora lá, e com alguns amigos. De repente fui acometido por uma tristeza enorme e resolvei cancelar tudo, assim, do nada. Só hoje de manhã, uma hora antes do sepultamento de Horácio Cersósimo é que fiquei sabendo de sua partida, ontem de manhã. Aqui em minhas conjuminâncias, nenhuma dúvida de que a caminho da eternidade Horácio deve ter dado uma passadinha por Cuiabá e deixado uma ordem: “aquele malandro não foi lá se despedir de mim, não vai fazer festa sozinho por aqui”. Tudo bem, amigo. Espere-me para o reencontro, para aquele escaldado, lá na Kátia, quem sabe na agradável companhia do poeta Silva Freire, como naqueles bons tempos.

Horácio Cersósimo de Souza era assim. Homem simples, generoso, sempre de bom humor e sabendo aproveitar muito bem a vida. Político habilidoso, teve papel importante naqueles conturbados tempos que antecederam a divisão do Estado. Por sua estreita ligação com o governador Garcia Neto, soube tirar proveito da situação e fazer com que o último governo do Mato Grosso uno desse uma atenção mais que especial a Dourados.

Quando lancei meu livro “Sonhos e Pesadelos”, baseado na temática divisionista, um “horacista” de quatro costados, seu Pedro Cavalcanti, do alto de seus à época 93 anos, questionou por que Horácio não estava nela inserida. Expliquei que o capítulo dedicado a ele na história era especial, que já está pronto, há tempos, mas que viria no segundo livro. Infelizmente, por tudo que aconteceu nesses últimos dois anos em Dourados, tive de adiar o lançamento, mas Horácio há de entender e me perdoar, até porque, agora desencarnado, já deve ter consciência de que se cumprisse meu cronograma talvez tivesse ido primeiro que ele para a “Glória”, como diz meu irmão, pastor Vivaldo.

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