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quinta-feira, julho 2, 2026

Gasolina genérica pode ter efeito de nitroglicerina pura na eleição para prefeitura de Dourados

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19/09/2011 – 15:09

Ao mesmo tempo em que começam a pipocar candidaturas a prefeito (a maioria “retornável”) nas páginas da mídia dita subordinada, silenciosamente o mais central dos postos de combustíveis de Dourados fecha as portas. Mas o que uma coisa tem a ver com a outra? Embora a família negue, a “falência” do posto Taiamã, dos Zarpelon, nome de forte tradição no comércio local e o que pode acontecer em efeito cascata seria como jogar nitroglicerina pura numa dessas candidaturas, já que está diretamente ligada ao que parecia ser apenas desprendimento de um concorrente de costas largas, useiro e vezeiro em promoções que, agora se sabe, só teriam sido possíveis, entre “otras cositas”, por causa da venda de produtos genéricos em suas bombas.

Há mais de um ano o empresário Paulo Menegueli Pricinato (com o prefeito Murilo Zauith e o deputado Zé Teixeira) vem sendo festejado na cidade pela coragem de peitar o que seria o “cartel” dos combustíveis, depois de reduzir algumas frações de centavos nos preços do produto, contrariando a lógica dos demais empresários, que vivem reclamando da pequena margem de lucro por causa da política fiscal implantada ainda no governo de Zeca do PT. O “milagre” de Pricinato, que mesmo com lucros reduzidíssimos, em menos de dois anos na atividade conseguiu expandir sua rede para outros municípios, chamou atenção não apenas da concorrência, como da Justiça, já de posse de um dossiê onde, de “herói” dos preços baixos ele é acusado de dumping, crime punido pela legislação brasileira com a mesma severidade com que o de formação de cartel, por ele combatido.

A relação disso tudo com a eleição municipal é que por trás do empresário estariam alguns poderosos da política local. Pelo menos dois, pré-candidatos a prefeito nas próximas eleições. Entre as denúncias do dossiê, o acobertamento, por esses mesmos políticos, de suposta agressão, pelo empresário, a um fiscal do Estado que resolveu dar uma incerta em sua contabilidade.

O item mais explosivo do dossiê que poderá ficar conhecido como o escândalo do combustível genérico, e que já está nas mãos de um desses juízes que não costumam brincar em serviço, é a denúncia de que tudo isso só foi possível pela utilização de sub-produtos, contendo resíduos, a chamada gasolina branca, procedente de uma refinaria de Araucária, no Paraná. Quanto ao álcool – e aí estaria o pulo do gato de Pricinato – seria adquirido diretamente de uma usina de Dourados, também ligada a poderosos da política, sem os repasses legais ao Estado, sendo que para facilitar as coisas ele teria adquirido, ao lado da mesma usina, uma área de cerca de 300 hectares. Outra “bomba” do dossiê: com a conivência de agentes tributários desses que não vá lá encher a paciência, haveria um esquema de retroagir a numeração da bomba, propriamente dita. Ou seja, vale apenas, para efeitos fiscais, o produto que dá entrada com nota, jorrando à vontade o clandestino, por isso mais barato, no tanque do consumidor. Puxaram também a “capivara” da sócia majoritária (com 99% das cotas!) de Pricinato, Maria Edna Jorge, que teria uma dívida de cerca de R$ 5 milhões junto ao Banco do Brasil, entre outras irregularidades envolvendo o grupo, como implantação de empreendimento sem as devidas licenças ambientais.

Na melhor das hipóteses, funcionando, como sempre, a operação abafa, o que pode acontecer é faltar combustível para os carros dos cabos eleitorais de 2012. Mas isso só lá no posto barateiro.

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