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O último suspiro, já aos dezoito anos

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14/09/2011 – 09:09

Uma nova cara, na tentativa de atrair um novo dono.

A menos que a tão decantada mudança implique na disponibilização de todo o “conteúdo jornalístico” online, num instante em que a notícia voa pela internet enquanto os impressos fazem água, de nada terá adiantado todo o barulho feito nesses últimos dias pelo Diário MS para comemorar seus dezoito anos. Na verdade, a impressão que fica é a de um sobrenatural esforço de marketing de Alfredo Barbara Neto para tentar valorizar seu produto, na esperança de encontrar alguém disposto a ficar com a batata quente, depois que os escândalos Owari e Uragano transformaram em pesadelo os sonhos políticos e empresariais da família.

Pode ser também que a grande notícia deste 15 de setembro seja, enfim, a revelação da identidade do misterioso sócio de Barbara Neto, depois de frustradas negociações com vários grupos empresariais e com políticos de diversos matizes ideológicos. Quando Vitor Cales se livrou do que já era uma bucha, suspeitava-se que Ari Artuzi ou alguém poderoso a ele ligado pudesse estar por trás da transação, ocorrida, por coincidência, às vésperas de sua eleição para a prefeitura. Isto porque já naquela época o colunista social se apresentava como seu guru, já que Valdecir não soltava um pum sem pedir sua autorização. Tanto é que uma vez empossado o Valdecir os Barbara foram com tanta sede ao pote que Sandro, o irmão dentista e sócio do colunista no jornal puxou a fila dos primeiros a irem para a cadeia, ele que, embora à época “murilista” de carteirinha era o secretário de saúde do coração do novo prefeito.

Abaixada a poeira das operações policiais que fizeram uma devassa nos órgãos públicos e acabaram com a mamata de empresas acostumadas ao dinheiro fácil do contribuinte o Diário MS passou a enfrentar dificuldades e procurar novos parceiros. Falou-se no deputado Reinaldo Azambuja, anunciou-se, com pompa e circunstância, a venda a Carlos Eduardo e Idete Medeiros, ela, irmã da secretária de fazenda do Valdecir, a Inês, que também fora parar no xilindró. Mas Barbara Neto, entre um e outro cruzeiro marítimo, jamais perdeu a pose. Perdeu, sim, o irmão, como sócio, mas manteve-se firme, mesmo sendo obrigado a reduzir à metade o número de funcionários, tendo que demitir profissionais do quilate de Ademir Almeida, o repórter-fotográfico mais badalado de todos os tempos por estas bandas e que está com seu aviso prévio vencendo justamente amanhã, quando também ele completaria 18 anos de casa.

Por essas circunstâncias, e com a evidente intenção de agradar ao patrão da Unigran que como prefeito de Dourados adotou o slogan “nossa cidade no rumo certo”, Barbara Neto ditou ao publicitário Paulo Ajax Rolin a frase que guiaria a campanha dos dezoito anos do Diário – “tudo muda, novos rumos”. Mas, nas reuniões internas não se cansa de bater no peito para assegurar aos poucos funcionários que sobraram que agora, sim, “nosso jornal está no rumo certo”. Na última delas, repetiu a frase exaustivamente, para anunciar que não tem medo de desafios, admitindo que o passivo (que afugentou compradores) da empresa é enorme, mas que a receita também dá sinais de recuperação.  

Sobre os novos rumos, propriamente ditos, do Diário MS, Dourados deverá se encantar, a partir de amanhã, com o que mais se parecerá com um gibi, priorizando fotos e ilustrações, com texto o mais pitoco possível, já que a ordem é economizar, papel inclusive. Talvez por isso o publicitário Paulo Ajax Rolim tenha se inspirado, ao conceituar a campanha publicitária, no velho e bom fusca, que mudou, mas uma mudança de gosto duvidoso e que deixou nosso fusquinha caro pra chuchu.  Só assim para o “Diário” MS continuar respirando.

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