23/08/2011 – 09:08
E a pergunta, agora inevitável: será que essa grana aí era mesmo de corrupção?
Bastou a saracura se alvoroçar com a volta da rotina na batcaverna à beira do Laranja Doce, no final de semana, e o telefone tocou logo cedo, na segunda-feira, por conta da insólita cena protagonizada pelo Valdecir, num posto de gasolina, no centro da cidade, com o indefectível “ajuda eu” da campanha de prefeito, só que agora para vender seus queijos caipiras. De quebra, para avisar que está vivo e que seu retorno à política é uma questão de dias. E deve ser mesmo, por tudo que vi e ouvi nas sondagens para a retomada da lida depois de trinta dias zanzando por países onde política é acessório.
À primeira informação colhida ainda na manhã de domingo numa roda de cabeças coroadas da política local, quanto à tentativa de se encontrar uma saída honrosa para a Uragano, já tida como um fiasco jurídico nacional, junte-se os três últimos comentários (MS verdade) do leitor que assina como “Juca-Juca”, no penúltimo post (Minha Paris brasileira). Quem não leu não sabe o que está perdendo. Trata-se do rito sumário da “renúncia” do Valdecir. Só os publiquei porque toda esta história já havia sido me contada pelo próprio ex-prefeito, logo que saiu da cadeia, com o primoroso e preocupante detalhe de que “renunciou” (as aspas são dele) olhando para o cano de uma escopeta. Para um uragano que fez questão de vir ontem à noite conferir se a saracura faz mesmo todo esse estardalhaço, os três comentários têm detalhes que não constam nos autos dos processos da operação policial que dizimou os poderosos de plantão em setembro do ano passado em Dourados e só podem ter sido escritos por alguém que dela fazia parte e, agora, deve estar sendo vítima de algum tipo de retaliação, sentindo-se traído ou alijado quanto a alguma pretensão.
A gota d’água para se dar cabo à Uragano (a coisa estaria adiantada no TJ/MS) é a jurisprudência produzida pela Owari, a primeira operação com a qual Polícia Federal pretendia pôr um ponto final na farra com dinheiro público na região da Grande Dourados e que acaba de ser anulada pelo Tribunal de Justiça por incosistência jurídica, principalmente falhas na produção de provas. Como as mesmas falhas processuais se repetiriam, só que numa lambança ainda maior e sem precedentes, envolvendo agentes policiais e o judiciário, de cabo a rabo, com a participação – cinematográfica e sem respaldo legal – do maior alcaguete da história, tudo leva crer que nos próximos dias o caos institucional esteja estabelecido em Dourados.
Pelo que o blog apurou há um conluio entre bancas advocatícias e integrantes das forças que deflagraram a Uragano na tentativa de salvarem a própria pele, sem que se tenha parado para se pensar na situação dos maiores interessados dessa encrenca toda, que são os réus, muitos deles já posando de vítimas.
Que o Valdecir, “renunciado”, não vai voltar, é certo, mas ficando um vazio jurídico aí, da mesma forma os também “renunciados” vice-prefeito Carlinhos Cantor, o presidente da Câmara à época, Sidlei Alves e os vereadores que seguiram pelo mesmo caminho, mas já se dando como certo o retorno dos que aguentaram o tranco e preferiram a execração pública, os cassados pelos próprios suplentes, Cláudio Marcelo Hall, o Marcelão; Jr. Teixeira, Júlio Artuzi, Marcelo Barros e Paulo Henrique, o Bambu.
Se a coisa é como colocou o tal “Juca-Juca”, se juízes, promotores e delegados pisaram mesmo nos tomates, finalmente vai se desfazer o grande mistério, chegando-se ao nome ou aos nomes de quem engendrou tudo isso. Gente muito poderosa, certamente, que terá de se explicar, se não com a justiça, com os eleitores, nos pleitos que vêm por aí. Afinal, de louco, já se sabe, o Valdecir não tem nada. E vendendo seus queijinhos caipiras aqui e ali, como candidato ou não, ele pode fazer, de novo, um estrago medonho. Afinal, ninguém, jamais, na história de Dourados, demonstrou tanto apetite pela coisa como ele.
