09/08/2011 – 18:08
Ora, vejam só! nem aqui na Europa ele me dá sossego. Não sei se pelo tanto que me aporrinhou antes de minha viagem, para fotografar suas vaquinhas morrendo de fome por causa do bloqueio de seus bens pela justiça ou se sugestionado pela forma esquisita dos europeus de pedirem esmola, mas a verdade é que sonhei com o Valdecir, acho que na noite passada. Aliás, aqui chegando e, diante de tantos monumentos e estátuas, a primeira coisa que me veio à cabeça foi o Valdecir com Jorginho Dauzacker a tira-colo “tombando” tudo que encontrassem pela frente, a exemplo do que fizeram com o nosso Ervateiro. Talvez aqui, por isso, ele vingasse como governante, pois não teria tempo para fazer outras besteiras, tantos são os monumentos que teria para colocar abaixo.
No sonho, ou pesadelo, o Valdecir, depois de renunciado, mas prometendo voltar, pedia esmolas no centro de uma cidade sei lá de onde, evidentemente, dizendo-se o homem mais injustiçado do mundo. Além da saudade da saracura, deve ter pesado na composição deste cenário, quando o espírito dá suas escapulidas para o necessário repouso da carcaça material, o fato de ter sido vítima de uma pedinte no último domingo. Mal podendo se movimentar, na porta de uma igreja, apoiada numa bengala, a dita cuja, em trajes islâmicos, com um copinho na mão, implorava “mangiare, per favore! mangiare!”, minutos depois cruzando de novo comigo, aí subindo lépida e fagueira, bengala debaixo do braço, a ponte do Rialto, a mais famosa de Veneza para, alguns metros à frente, diante da multidão de turistas, voltar a mancar e implorar por uma ajudinha. Isto, sem contar os mais folgados, como o cidadão aí fotografado por minha minha filha Ana Carolina em outra ponte famosa, a que dá acesso ao castelo dos Habsburgo, em Praga, na República Checa.
Com o já manjado discurso do “ajuda eu”, no sonho, todo tatuado e sujo, o Valdecir voltava às origens de sua chegada a Dourados, quando ficava horas e horas na calçada em frente a casa do agora prefeito Murilo Zauith à espera, também, de uma ajudinha, que vinha sempre na forma de uma cesta básica.
Ainda bem que no retorno de meu espírito ao corpo físico, já combalido depois de uma maratona sem precedentes por museus e castelos (não encontrei por aqui o tal sebo de grilo que André Puccinelli receitou como remédio infalível ao seu então vice-governador Zauith para não fazer feio diante do mesmo Valdecir, no desventurado 2008), deparei-me com Toto Câmara lustrando, por assim dizer, o encontro peemedebista promovido com o único intento de valorizar o passe da turma dos retornos, que, diante das investidas da presidente Dilma Rousseff, vai ter de baixar em outro centro. Mas que não seja a prefeitura de Dourados, pois, neste caso, melhor seria o retorno do pesadelo iniciado em janeiro de 2009, com o mesmo Valdecir.
