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quinta-feira, julho 2, 2026

O “Russo” de Viena

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26/07/2011 – 07:07

Lancei dúvidas no post anterior quanto à existência de botecos em Viena. Mas é claro que a cidade com melhor qualidade de vida do mundo não poderia deixar de – também – ter os seus, afinal, aquela geladinha nos fins de tarde é fundamental para a felicidade geral de todos nós, os “butequeiros”. Só que esse tipo de estabelecimento aqui é diferente, tirante uns poucos ditos “boca quente”, principalmente os do Distrito 12, a maioria frequentada por estrangeiros, aqueles que, por aqui, literalmente, pegam no pesado.

Como minha filha já incorporou os costumes da boa vida vienense, até por influência do marido, um jovem executivo do setor de informática chegado numa boa mesa e numa parcimoniosa garrafa de prosecco, estou pegando carona e filando bóia em alguns dos bons restaurantes deste paraíso gastronômico europeu. Como o Café Central, por exemplo, o mais famoso da capital, em cujas mesas sentaram figuras como o pai da psicanálise, Sigmund Freud, o líder da revolução soviética Vladmir Lennin e o “Valdecir” de lá, um tal de Leon Trótski, Franz Kafka, além, claro, do cara cujo nome, por aqui, só é dito bem baixinho, para não se levantar suspeitas quanto a uma possível simpatia pelo regime que liderou e tantos sobressaltos causa até hoje à humanidade – o Adolf, ele mesmo, Hitler!

Entre os tantos frequentadores famosos deste “barzinho” vienense, um me fez lembrar o nosso já lendário Waldemar Gonçalves Russo, o tal de Peter Altenberg (1859-1919). A relação de Altenberg (boêmio e escritor de origem judaica) com o Café Central de Viena era mais ou menos como a do Russo com no bar do Takeo. Ele era o primeiro a chegar e o último a sair. Ficou tão freguês, como eu, nos bons tempos do Caneca, do Antonio Eugênio, mais tarde do Batatinha, de seu Jonir e por último do Quatrilho, de Sinval e Gema, que os Correios da Áustria nem se preocupavam em mandar correspondência para a residência dele. Era ali, enquanto fazia seus escritos e tomava seus goles que recebia também suas cartas.

O “Russo” de Viena gostou tanto do Café Central que nunca mais saiu de lá. Eternizado numa escultura em papel-machê, na entrada do “boteco” ele dá as boas-vindas aos clientes, sempre chegando do mundo inteiro, famosos ou não, como o blogueiro da beira do Laranja Doce.

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