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Murilo puxa a fila para racha histórico

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11/07/2011 – 04:07

Pela dinâmica da política, eles podem trocar André por Delcídio.

A recaída socialista do até agora democrata Murilo Zauith muito mais que ideológica tem o condão de determinar um novo divisor de águas na planície política do Mato Grosso do Sul, a partir de 2014, pois que é peça mais que importante no tabuleiro cujas peças começam a ser mexidas em 2012. Ex vice-governador de André Puccinelli, depois de, em seu entendimento, ter sido preterido na disputa para o Senado em 2010 e, apenas por sua condição de herdeiro do espólio de Valdecir Artuzi mantendo com ele relações estritamente institucionais, Zauith dá toda pinta de que pretende, a partir de agora, montar na garupa do senador Delcídio do Amaral para, dependendo do corcoveio do cavalo petista, vislumbrar a chance de dar a Dourados, ali na frente, seu tão sonhado senador, quem sabe até um governador – ele próprio, evidentemente, como escrevi alguns posts atrás.

Para o governador André Puccinelli, um dos maiores interessados nessa história, mas que a tudo assiste à distância, Zauith vai dar com os burros n’água. Pelo menos é o que se pode deduzir de suas declarações ao Correio do Estado, jornal de Antonio João Hugo Rodrigues, um dos incentivadores do novo rumo político do prefeito douradense: “Que Deus o conforte. Ele vai precisar aprender como se fazem plenárias para virar um socialista”, disse André, sexta-feira passada, em Dourados, não economizando ironia e se recusando a continuar a prosa quando Fábio Dorta, o mais murilista dos repórteres, quis saber se ambos continuariam no mesmo barco político. Imagine Murilo, avesso a esse tipo de moagem, numa plenária do PSB, não bastassem as do PT que poderão pôr fim ao casamento que o levou à prefeitura.

A ida de Zauith, um conservador e intransigente defensor da livre iniciativa para o partido que foi a última morada do mitológico comunista Miguel Arraes representa um racha histórico na medida em que faz parte de um audacioso plano de cooptação do hoje principal representante do clã dos Trad, o prefeito Nelsinho, de Campo Grande, ultimamente, como diz o paraguaio, meio “deconfiado” de que já está guardada a banha para a fervura de um tacho maior que o Guanandizão para fritá-lo antes do raiar de 2014.

A desculpa para a guinada à esquerda de Zauith é a tal da governabilidade, mas um medo apenas em relação ao que pode deixar de pingar das torneiras altamente retornáveis do Planalto, já que André tem ignorado as picuinhas partidárias para cuidar do Estado. E a prova maior disso foi a entrega das quatrocentas e poucas casas do residencial Walter Brandão da Silva, um projeto de seu arquirrival Valdecir que, com todas as suas trapalhadas, deixou o terreno pronto para a implantação de cerca cinco mil outras residências, das dez mil que a atual administração vislumbra construir. Também resultado da impertinência do Valdecir junto ao governador está aí quase pronta a tão sonhada Perimetral Norte, cabendo agora a Zauith, com toda esta boa vontade de André, provar que é possível preencher de forma ordenada o vazio de uma Dourados com o perímetro urbano triplicado, o que, pelo jeito, terá sido o seu maior legado.

Com projetos – políticos e administrativos – visionários como estes se concretizando e Nelsinho Trad virando mesmo pururuca, enquanto André Puccinelli vai lapidando a joia da coroa para Simone Tebet, 2014 promete ser de arrepiar.

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