26/06/2011 – 07:06
Enquanto esteve, sossegado, durante quatro anos, à sombra do famoso pé de Chico Magro, no Parque dos Poderes, Murilo Zauith (foto) ficou só cubando André Puccinelli. Mirando no Senado da República, não se cansava de elogiar a desenvoltura do titular do cargo, com quem diz ter aprendido tudo de administração pública e do jeito de fazer política. Frustrado com a derrota para o Senado, mas incumbido de administrar o espólio da Uragano e tendo o relógio como grande adversário, Zauith vai tentar agora o milagre da multiplicação das obras para se reeleger prefeito, correndo até – ao triplicar o tamanho do perímetro urbano – o risco de transformar Dourados num favelão, tamanho é o apetite de fazer e acontecer, para, aí, sim, cacifar-se ao único cargo melhor que o de senador, seu sonho maior até aqui – nada mais nada menos que o de governador do Estado.
No momento em que nem de reeleição o prefeito queira falar ainda, embora cada vez mais forçado a antecipar esta prosa com os aliados, pode até parecer que alguém esteja querendo colocar a carreta diante dos bois, mas a verdade é que, baseado na premissa de que também política se faz em longo prazo, a ideia já foi colocada na incubadora do “galinheiro” que se convencionou chamar de prefeitura (o prédio construído por Humberto Teixeira) nos altos da Coronel Ponciano.
Para tanto, os estrategistas de Murilo Zauith contam – rezam e torcem muito – para que, antes de tudo, André Puccinelli saia mesmo candidato ao Senado em 2014. Este é o primeiro passo. Só com o italiano no “céu” de Brasília para o plano começar a dar certo. A partir daí, já com a cartilha de Maquiavel à mão, é secar alguns aliados de primeira hora, como o prefeito de Campo Grande e potencial candidato à sucessão de Puccinelli, Nelsinho Trad, desde já em zona de turbulência, ou os que já se credenciam a isso, como o Senador Delcídio do Amaral, também na boca para assumir o cargo pretendido por Zauith. Tanto um como o outro não poderiam repetir a performance do atual governador, para não ficarem pensando nesse negócio de reeleição.
Com André Puccinelli adaptado ao ar seco de Brasília, em 2018, e no vigor de seus 68 anos, desde que não pare com suas caminhadas diárias em torno do Imaculada Conceição, para não precisar recauchutar os stents (molinhas para o coração bater mais suavemente) como acaba de fazer o colega jornalista Cícero Faria, aí então Murilo Zauith, dois anos depois de ter deixado “nos trinques” a prefeitura, nas mãos de um aliado, bem entendido, poderia repetir o feito de José Elias Moreira, tentando o governo do Estado. Não se esquecendo, evidentemente, de que tudo isso tem de estar muito bem combinado, não só com PT, PMDB e Cia., mas, principalmente, com o tal do povão.
