16/06/2011 – 18:06
Quando escrevi no post anterior que a próxima vaga no céu, ou melhor, no Tribunal de Contas do Estado, pelo acordo que até lá fez chegar ontem a senadora Marisa Serrano já está reservada a um ex-governador – Londres Machado ou Jerson Domingos -, muita gente pode ter imaginado que o blogueiro estava de fogo, pela lógica do bom senso que determina que um dia o deputado Jerson Domingos deva passar o bastão da presidência a um de seus colegas. Como, se isso acontecesse, Londres Machado seria a “renovação” – só mesmo no Mato Grosso do Sul uma barbaridade dessas! – começa fazer sentido a história da vaga a um ex-governador. Mesmo que não aconteça esta “renovação” mas com o ex-vendedor de máquinas Vigorelli virando Conselheiro é correto o raciocínio, já que Londres já esteve duas vezes, embora interinamente, à frente do governo do Estado.
E tudo isto por quê? Porque é claro, como dois e dois são quatro, não apenas que André Puccinelli é candidatíssimo ao Senado como também, diante do imbróglio (entre aliados) em que está se transformando a sucessão do prefeito Nelsinho Trad, que o grande trunfo do governador para resolver esta parada é sua vice Simone Tebet (foto). Bem possível até que, com seus olhos de lince, André tenha vislumbrado esta possibilidade lá atrás, quando sacou a recém-reeleita prefeita de Três Lagoas não apenas para ficar à sombra do famoso pé de Chico Magro do Parque dos Poderes esperando cair do céu uma vaguinha no Senado, como aconteceu com Murilo Zauith, mas para este tipo de missão.
Nova, arrojada e com a política no sangue, Simone Tebet tem a vantagem de poder se adaptar facilmente em qualquer posição que venha a ser escalada. Supondo-se que André Puccinelli cumpra a promessa de dependurar as chuteiras, como andou ameaçando, Simone não ficaria desempregada, sendo uma baita candidata à única vaga ao Senado, em 2014, principalmente depois que Murilo Zauith sossegou o facho como prefeito de Dourados. Ou a governadora, no caso de alguma coisa dar errado com os projetos de Nelsinho Trad.
Por via das dúvidas André prefere matar dois coelhos com uma cajadada só: acaba com a confusão da sucessão de Nelsinho Trad na prefeitura, mantendo a ele o apoio para o governo e, na recíproca, por ele sendo apoiado para o Senado, deixando no governo Jerson ou Londres, e, aí então, o que ficar desempregado no romper de 2015 estando já com a vaga assegurada no Tribunal de Contas do Estado. Claro que tem que combinar com o PT, com titio Zeca, com Delcídio, e, principalmente, com o tal do povão.
Não seria a primeira “importação” de um candidato a prefeito da capital. Em 1976, Pedro Pedrossian foi buscar Marcelo Miranda Soares em Paranaíba para ser prefeito, como parte do projeto de se tornar o primeiro governador do Estado. Pedrossian deu azar com Marcelo, por quem foi traído, não na prefeitura de Campo Grande, mas no Governo por ele pretendido ao qual foi por ele também guindado, depois da queda de Harry Amorim Costa. Que Puccinelli tenha mais sorte.
