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quinta-feira, julho 2, 2026

O velho Fokker 100 sobre o Jaguapiru

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14/06/2011 – 20:06

Eu juro que vejo o bichão passando por aqui, comandante Silveira diz que pode ser alucinação.

Havia preparado um baita texto colocando minha incompreensão diante da demora de Dourados entrar definitivamente na rota aeroviária das companhias que operam com grandes aeronaves, já que vejo algumas delas cruzando todo santo dia sobre minha cabeça, aqui na baixada do Laranja Doce, mas antes da postagem resolvi fazer uma consulta ao comandante Silveira (Sayd Martins), que cortou meu barato. Para ele tudo não passa de ilusão de ótica, atribuindo voos como o que vejo passando invariavelmente às 18h, por exemplo, no sentido Sul-Norte, a algum dos muitos mistérios existentes entre o céu e a terra. Será que além dos ouvidos a algazarra das saracuras afeta também a visão?

Pior é que outro dia, ao embarcar num MK-28 (na verdade o velho modelo Fokker 100, estigmatizado pelos acidentes da TAM) da Avianca, para um pulinho em Cuiabá, deixei registrado “meu protesto” junto aos comissários de bordo, por ter de ir até Campo Grande para embarcar, sendo que, para mim, os que vêm de Porto Alegre ou Curitiba passam aqui bem em cima do Jaguapiru. Segundo Sayd Martins os aviões podem até daqui ser vistos ao longe, mas não passam assim tão perto, acrescentando, a propósito, que os custos de uma escala em Dourados não podem ser medidos apenas pelo gasto a mais de combustível com um pequeno desvio de rota ou por uma decolagem do aeroporto Francisco de Matos Pereira, mas por toda a infraestrutura em terra a cargo da companhia. Isto, bem entendido, caso o aeroporto local oferecesse as condições técnicas para operação dessas aeronaves.

Na volta de Cuiabá no dia seguinte, tentando encaixar a barriga estufada de cerveja da noite anterior entre as apertadas poltronas do velho Fokker, folheando a revista de bordo da Avianca, fiquei mais frustrado ainda, ao constatar que a mesma companhia, com os mesmos aviões, opera Brasil afora (confira no mapa as rotas) em cidades do porte de Dourados e que também não são capitais de Estado. Começando por Passo Fundo-RS, com cerca de 180 mil habitantes, até Juazeiro do Norte-CE, esta um pouquinho maior, com 250 mil habitantes, da mesma forma Petrolina-PE, com 300 mil, mas passando também por Chapecó-SC, com seus cerca de 190 mil habitantes.

Avesso à matemática, tanto que só agora me debruço sobre os números dos prejuízos com os tais retornos parlamentares, começando com umas encrencas ali do Parque Alvorada, daqui uns dias no blog, nunca consegui entender a fileira de ônibus entupidos de passageiros, na linha Norte-Sul, com a gauchada embarcando a partir de Porto Alegre com destino ao Pará, passando pelo Mato Grosso e Rondônia, e daí até o Piauí, todos passando por Dourados, sem que o mesmo aconteça com as companhias aéreas que fazem mais ou menos o mesmo trajeto. Com uma diferença: em linha reta, obviamente mais rápido, com muito menos riscos de acidentes, com a vantagem, hoje, dos preços módicos de antigamente.

Implantada uma dessas conexões, tranquilamente se transformaria em realidade o velho sonho do voo diário para São Paulo, bastando uma paradinha em Campo Grande, o que é bem mais prático do que ir de carro até a capital ou ficar esperando a vida inteira a boa vontade da Trip.

A menos que o que esteja pegando seja exatamente esta reserva de mercado para a companhia que há tanto tempo vem operando com seus teco-tecos – caríssimos – na região. Neste caso, que se quebre o “monopólio” da Trip ou que se chame de novo Peralta (Maurício), aquele que acabou sendo o único secretário imexível do Valdecir e que a cada troca de prefeito, a partir daí, prometia para a semana seguinte um avião a jato para Dourados. Só para não perder o cargo.

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