23/05/2011 – 08:05
O ex-prefeito corumbaense Ricardo Cândia (foto), preso no propinoduto de Campinas, era uma das últimas entre as muitas ilusões perdidas daquele que sempre se orgulhou como o grande forjador de lideranças políticas do Mato Grosso, depois Mato Grosso do Sul – o ex-governador Pedro Pedrossian. Nenhuma dúvida de que os escândalos da segunda maior cidade de São Paulo abalam ainda mais a saúde de Dr. Pedro, no alto de seus oitenta e tantos janeiros, mas com os olhos ainda firmes no futuro, pelo muito que realizou por estes dois Estados.
Não é assunto para agora, mas são vagas, ainda, as conclusões quanto aos verdadeiros propósitos de Pedrossian com tantos nomes que foi colocando no mercado da política com o passar do tempo, permanecendo, como a maior das incógnitas, a fracassada engenharia para que um de seus mais fiéis seguidores, José Elias Moreira, passasse à história como seu sucessor na primeira eleição direta para o governo do novo Mato Grosso do Sul.
Pode ser trauma pelo tanto de dor de cabeça que lhe deu seu primeiro chefe da Casa Civil e tido como sucessor natural no governo do Mato Grosso uno, Mendes Canale, mas a verdade é que Pedrossian, mesmo depois de consolidado como o maior dos tocadores de obras sempre fracassou em seus projetos políticos. Dos seguidores que dele se desgarraram por não ver futuro à sua sombra, apenas Marcelo Miranda Soares conseguiu chegar ao topo da carreira, como governador e senador, mesmo assim tendo vida curta, contentando-se hoje com um carginho de quinto escalão no governo federal. Levy Dias, que se rebelou em 1982, batendo chapa com Zé Elias na disputa pela candidatura ao governo do Estado virou senador, também, mas só por um mandato, recolhendo-se novamente à sua criação de porcos.
As fracassadas tentativas da forja de Pedrossian começaram ao final de seu primeiro governo no MS, em 1982. Antes de lançar Zé Elias candidato a governador chegou a dar umas voltas com Paulo Fagundes pelo interior do Estado, mas a candidatura do agente fazendário de sua confiança naufragou logo nos primeiros contatos com o povão. Nessa época, já depois da rasteira de Marcelo Miranda, por ele nomeado governador no lugar de Harry Amorim Costa, também lapidava os nomes de Heráclito de Figueiredo e Albino Coimbra, ambos por ele nomeados de Campo Grande.
Ricardo Cândia entrou para esta seleta lista quando todo mundo já vislumbrava a aposentadoria de Pedrossian, na década de 90, mas o que ninguém imaginava é que no fundo, no fundo, o homem de Miranda preparava era sua própria volta para depois do segundo governo Wilson Martins, com quem se revezou no poder, com a diferença de que Wilson chegou a emplacar um sucessor, o mesmo Marcelo Miranda, em 86.
Enquanto preparava a volta para 1998, quando seria humilhado nas urnas ainda no primeiro turno, além de Ricardo Cândia, Pedrossian sondava outros nomes, como Waldemar (da Copagaz) Just Horn, que chegou a promover algumas churrascadas em Campo Grande posando de candidato a governador. Era só o camarada despontar, desde que adepto de sua linha de pensamento e já era chamado para uma prosa em seu apartamento em Campo Grande. Pedro sempre impressionou pelo carisma e pela forma de conceber o Estado. Os mais jovens, como Flávio Kayatt, Chico Maia, Denas Lugo e Raufi Marques saiam de lá inebriados. E convertidos ao pedrossianismo, corrente política que leva o nome do grande construtor da política estadual, mas que sempre teve como seu maior ideólogo João Leite Schmidt.
Agora, com Ricardo Cândia no xilindró e o “chefe” adoentado, pode ser que caiba ao deputado estadual Paulo Correa a melancólica tarefa de cuidar do espólio do pedrossianismo.
