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Marçal Filho e seus laranjas

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28/03/2011 – 08:03

Desta vez seu nome não foi citado por ser um bagrinho, apenas, num mar infestado por tubarões da comunicação no Brasil, o que não lhe tira a condição de um dos principais protagonistas de uma das maiores redes de corrupção envolvendo a concessão de emissoras de rádios e TV pelo Governo Federal. Marçal Gonçalves Leite Filho (foto), o menino pobre da Vila Matos, que começou a vida como sonoplasta na Rádio Clube de Dourados, e assim mesmo porque era afilhado de Jorge Antonio Salomão, aprendeu rápido a subir num pé de laranja e, com seu jeitinho delicado e voz de veludo, tratou logo de plantar seu próprio pomar. Ao contrário do padrinho, o velho Salomão, que herdou o microfone das famílias Dérzi e Moraes dos Santos com méritos, por ter sido o maior crítico do rádio por estas bandas, Marçalzinho ganhou a sua 94 de mão beijada, não só pelos lindos olhos e pela bela voz, mas principalmente porque à época em que participou da “concorrência”, em nome de um laranja, já era deputado federal.

Este é o tema de extensa reportagem da jornalista Elvira Lobato, na Folha de S. Paulo de ontem: laranjas, como cabeleireiras, donas de casa, enfermeiros ou funcionários públicos com renda incompatível, são usados por políticos para encabeçar processos de concessões de rádio e TV no Brasil.

O problema é que Marçal Filho deu azar. Além de perder a esposa (numa cirurgia de lipoaspiração malsucedida), cujo irmão era o seu laranja na aquisição da emissora de seus sonhos, perdeu também o mandato. Como é daqueles que não confiam nem na sombra, transferiu a maioria das cotas da emissora para o seu nome. Só que aí ele voltou a se eleger deputado federal, condição que lhe impede de ser concessionário de serviços públicos, e a coisa fedeu para seu lado, tendo virado réu nua ação que tramita no Supremo Tribunal Federal, por falsidade ideológica, mesmo depois de transferir suas cotas a outro laranja.

A concessão da 94 FM, de Marçal Filho, ou de João Alcântara, sei lá, foi a primeira das emissoras estabelecidas em Dourados a ser feita por meio de licitação pública, tendo o menino pobre da Vila Matos, ou melhor, o então cunhado Daladier, à época gerente de uma agência bancária de Dourados, dado um lance de qualquer coisa aí perto de R$ 1 milhão. Antes, as concessões eram prêmio do governo federal a políticos “subordinados”, como diria o deputado Geraldo Resende, como aconteceu com José Elias Moreira e Ivo Cersósimo durante a Constituinte. Zé Elias, graças ao prestígio do padrinho político Pedro Pedrossian junto ao Planalto já era concessionário de rádio e TV em Dourados, e a partir da Constituinte fincou raízes também em Campo Grande, com mais uma emissora de rádio e outra de TV, depois passadas à frente. A única emissora douradense conseguida pelos trâmites normais, sem apadrinhamento, é a 92 FM, uma concessão ao idealismo e ao espírito empreendedor de Antonio Tonanni.

Veja na reportagem de Elvira Lobado como funciona o esquema dos laranjas a serviço de políticos como Marçal Filho:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po2703201102.htm

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