25/03/2011 – 17:03
O ideal seria um título no singular – A mão do Braz no governo Murilo. Mas, como estamos em Dourados, ocorreu-me de algum espírito de porco distorcê-lo e sair por aí dizendo que a exemplo do Valdecir, que mandou tombar (derrubar, mesmo) a estátua do Ervateiro também Zauith resolvera arrancar o monumento da entrada leste da cidade no qual colou o apelido de seu idealizador. Melhor ainda. Murilo não quer apenas as mãos, mas principalmente as ideias de Antonio Braz Genenlhu Melo (foto), o prefeito mais marketeiro que Dourados já teve, como também as mãos, as ideias e até a botinha (para substituir seu mocassim sem meias) de Zé Elias, o prefeito mais “fazedor”, como diria o ex-presidente FHC, e que mudou a história da terra de seu Marcelino.
Diante das peculiaridades do momento e da necessidade urgente de se reconstruir uma cidade devastada pela corrupção e pela buraqueira, bem provável que Murilo tenha pensado em copiar (já que é moda agora esse negócio de clone, né?) a ideia de um Conselho de ex-prefeitos, como aconteceu não faz muito tempo em Campo Grande. Mas haveria um óbice, naturalmente. Como encaixar o Valdecir? Outra coisa. Com João Totó Câmara adoentado e Humberto Teixeira às voltas com o pimpolho Júnior e sua metralhadora giratória, melhor tocar só com Braz e Zé Elias mesmo. Tanto que nem cargo eles têm lá. Fazem uma espécie de consultoria, informal.
O mais interessante disso tudo é o desprendimento de Zauith, levando-se em conta sua história recente. É que quando disputou pela primeira vez a prefeitura, com Totó Câmara de vice, em 2000, não queria nem ouvir falar de Zé Elias e de toda as outras “velharias” da política local, aí incluindo Humberto Teixeira e o próprio Braz Melo, o prefeito cuja cadeira estava vagando naquele ano.
Braz, agora, ao que se sabe, é o secretário de obras “de fato”, já que o de direito, o De Lúcia, está todo enrolado com as coisas de “seu Zé”, o deputado cujo sobrinho acaba de fazer essa lambança toda aí com a Assembleia, depois de ter o mandato cassado por envolvimento na Uragano. Zé Elias, tem a missão de ressuscitar o projeto urbanístico da cidade, tendo já sido despachado para Curitiba para retomar os contatos com o urbanista Jaime Lerner, por ele contratado 35 anos atrás para implantar o tão polêmico plano diretor e a lei do uso do solo da cidade.
Para quem tem o tempo como grande adversário, não deixa de ser uma boa pedida, já que Braz é daqueles que têm o tal do bicho carpinteiro, pensando, no dizer do Valdecir, 24 horas por dia, “inclusive à noite” somente em grandes projetos. E Zé Elias foi um grande tocador de obras e sempre pensou no macro do desenvolvimento da região, tendo dado sua sua última contribuição ao Estado como Secretário de Meio Ambiente do governo de titio Zeca do PT. Tudo, pois, o que Dourados precisa nestes tempos pós-furacão.
