18/07/2012 – 21:07
Foto: Anita Tetslaff
Geraldo até sonhou ser cacique, mas André mandou devolver o cocar a Murilo
Enquanto os deputados federais peemedebistas Geraldo Resende e Marçal Filho fingiam se engalfinhar, numa encenação barata como se os eleitores fossem um bando de idiotas, já que tinham consciência ser esta uma eleição pro forma, o prefeito Murilo Zauith fazia o maior investimento já visto na história da terra de seu Marcelino, superando até mesmo a famosa era “Braz-cal”, num frenético trabalho de sinalização horizontal e vertical de ruas e avenidas, não apenas porque equivocadamente traçadas em relação a trajetória solar (causa do deslumbramento que provoca acidentes em determinadas épocas do ano), mas, como que forçando aliados e adversários a se conscientizarem de que também a política é uma via de mão dupla e que Dourados só vai se firmar no contexto estadual a partir do momento em que todos começarem a falar a mesma língua. No mesmo ritmo, e bem ao seu até incomodativo estilo, quando batia na tecla de tão decantados temas, como os trilhos (ferroviários) e as linhas (aéreas) para tirar Dourados do isolamento, aplicava, nada mais nada menos, seus conhecimentos de semiótica para que a companheirada enxergasse o óbvio ululante, ou seja, que uma andorinha sozinha não faz verão.
Enquanto assiste de camarote ao despedaçar do que restou de prováveis futuros adversários em âmbito estadual nesta renhida briga pela prefeitura de Campo Grande, Murilo Zauith tenta montar um governo de coalização para que, a partir de 2014, Dourados não repita os erros do passado, quando, por exemplo, deixou de eleger José Elias Moreira (depois Braz Melo, que estava na fila) governador do Estado por conta das picuinhas locais. Zauith sempre lembra que chegou a Dourados a tempo de testemunhar o auge da administração Zé Elias, o prefeito visionário que quase teve o mandato cassado por contratar uma empresa de planejamento de notória especialização sem concorrência pública para, entre outras coisas, poder implantar um projeto de urbanização concebido pelo já então internacionalmente reconhecido e festejado Jaime Lerner, Zé Elias que sucedera João Totó Câmara, o líder político que batia no peito mandando dizer ao ainda “cuiabano” governador Pedro Pedrossian que da ponte do Rio Brilhante pra cá era ele quem mandava.
Dos arroubos de Totó Câmara, cujo prestígio como candidato a vice não foi suficiente para elegê-lo prefeito na primeira tentativa, em 2000, Murilo tem apenas as narrativas, mas testemunhou a refrega que levou Dourados a perder o governo com Zé Elias em 1982 e os equívocos de Braz Melo, que como tal começou a se inviabilizar, paradoxalmente, pelo sucesso da primeira administração, e por isso tendo agora, na boléia desse caminhão de japonês, uma determinante para o próximo mandato: juntar os cacos, para que se atinja, enfim, a tão sonhada maturidade política.
Nomes? para o quê ou para quando? Murilo não fala. Ele é frio, calculista e acaba de provar ser um grande estrategista. Tentou ser prefeito, perdeu uma, perdeu duas. Tentou ser senador, perdeu uma. Foi deputado estadual, federal. Não gostou. Mas, engana-se quem pensa que achou ruim a sombra do pé de Chico Magro da vice-governadoria. Coincidência ou não, dia desses durante sua habitual caminhada em volta do Colégio Imaculada Conceição foi visto apertando o passo para alcançar e ter um teretetê de pé de orelha com Celso Dal Lago, o suplente que depois de oito anos na expectativa de uma dor de barriga, que fosse, de Juvêncio da Fonseca, passou a defender a tese de que Dourados precisa deixar de ser a terra dos vices e dos suplentes.
