13/08/2012 – 13:08
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Marcelo Mourão, fazendo a diferença, pelo menos no Facebook.
Há dias esperava uma oportunidade, ou um gancho, como se diz no jargão jornalístico, para meu deleite, diante de tanta prosopopéia eleitoreira na internet, até que ontem à noite, depois de três dias de isolamento por falta de conexão, em Ponta Porã, deparei-me, no Facebook, com o apelativo chamamento do locutor de rodeios, imorrível (sic) da Academia Douradense de Letras e candidato a vereador, Marcelo Mourão, contando a inusitada história da descoberta do pai biológico enquanto garimpava votos na periferia de Dourados.
Se o cara que inventou Twitter, talvez prevendo tanta babaquice, limitou esta nova fábrica de pérolas literárias em apenas cento e quarenta caracteres, o do Facebook, ao liberar geral, acabou inventando uma nova faca de dois gumes, principalmente para os deslumbrados da política com o que imaginam ser apenas mais um brinquedinho para tentar convencer principalmente o eleitorado mais antenado. Pior que no Twitter, concebido pra se jogar conversa fora, como nos botecos da vida, mas dificultando a vida dos espalha-rodas que falam (ou escrevem) demais, no Facebook, mais, “tipo assim”, familiar, a coisa degringolou de vez, nesta desenfreada busca dos sem noção pelo voto barato.
Difícil afirmar o que é mais ridículo, se candidatos photoshopados, com suas carinhas lambidas, como dizia minha vó, ou suas mensagens inócuas, quase todos prometendo o óbvio ululante. Sem contar a costumeira agressão ao vernáculo, o que por si só, em que pese o sentido democrático da coisa, descredencia a maioria dos pretendentes.
Como toda mídia, Twitter, Facebook e congêneres são imprescindíveis, principalmente numa campanha de dinheiro mais curto que coice de porco como a de Dourados. Como num bom boteco, também nesses espaços o camarada não pode chegar e ir se abancando de uma hora pra outra. Primeiro é preciso cativar a galera e ganhar confiança, pra depois entrar na roda. Ou seja, não adianta, só porque é campanha eleitoral, tentar se mostrar simpático com enxurradas de mensagens. Menos mal que nas mídias sociais não é preciso servir cerveja quente ou chamar a segurança para enxotar os indesejáveis.
Se a historinha, até bonitinha, de Marcelo Mourão, vai sensibilizar seus eleitores, são outros quinhentos. Pelo menos não é das mais chatas. Caso não se eleja, o radialista e apresentador do único programinha que salva no “Canal Boa Vida” poderá, graças ao Facebook, claro, fazer-se conhecido e, quem sabe, ganhar a fama num canal, de verdade, da televisão aberta. É só uma questão de produção e de direção, pois artista ele é. E dos bons.
